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domingo, novembro 09, 2014

Mentoria Espiritual – O desafio de transformar indivíduos em pessoas

Título: Mentoria Espiritual – O desafio de transformar indivíduos em pessoas
Autor: James Houston
Editora: Editora Textus e Editora Sepal/ Editora Palavra
Onde comprar? MW Distribuidora – Livraria Ágape – Erdos
Quando li: abril/2012 – maio/2012
Meu Comentário: James Houston fundador e professor do renomado Regente College (sonho), tem lecionado a cadeira de Teologia Espiritual, sendo substituído por Eugene Peterson, é um homem sabedor de diversas áreas do conhecimento humano, amigo de C.S.Lewis, alguém que merece ser ouvido. Nesta obra, a qual foi relançada pela Editora Palavra com um novo título “O Discípulo”, o doutor Houston apresenta três tipos de homens frutos da cultura de suas épocas, os quais influenciaram o modo de ser e viver de muitos: o homem heroico (estético), o homem estoico (moral) e o homem psicológico.
Após esta apresentação, nos brinda com a pena de Kierkegaard, filosofo cristão existencialista, o qual fala sobre o papel da Palavra de Deus na nossa formação espiritual e então argumenta sobre o papel das Escrituras no nosso discipulado.
Nesta obra encontraremos diversas citações de mentores, que fizeram uso do texto sagrado para orientar seus mentoreados, como Fenelon, Kierkegaard, Edwards, Clairvaux, Balthasar, Calvino, Lewis e etc.
Sinopse:
Muito mais do que um manual sobre como fazer para encontrar alguém experimentado, com quem possamos conversar e de quem possamos aprender.
Este livro nos ajuda a recuperar a centralidade da fé em Cristo na formação da pessoa. Através de uma análise séria sobre as limitações da psicologia moderna e da moral cristã ocidental, James Houston nos desafia a caminhar em direção a uma maturidade em Cristo, rompendo com o individualismo contemporâneo e redescobrindo no discipulado cristão o significado da pessoa.
Ricardo Barbosa
Mentoria exige sensibilidade para que o mover de Deus, reverência para com aqueles que nos cercam e capacidade de aprender com as situações mais comuns da vida. Em cada página deste livro você encontrará sinais claros de alguém que conhece intimamente esta arte.
Ricardo Agreste
James Houston é um intelectual em todas as dimensões que este conceito contempla; é um sãbio com toda a profundidade que este termo encerra; é um homem de Deus, com toda a intensidade que esse epíteto sugere. Tê-lo ouvido, todas as vezes que veio a São Paulo, mudou a minha vida. Vi Deus como nunca O havia contemplado, percebi Seu amor e a Sua como jamais notara antes. Tenho uma eterna dívida de gratidão para com o Dr. Houston. Poucas vezes vi Deus falar tanto e tão profundamente, por meio de um ser humano, como o faz com ele.
Ariovaldo Ramos
Este livro fala da reconstrução de uma casa após uma enchente ou um terremoto devastador. Mas esta casa não é simplesmente um telhado sobre as nossas cabeças: eça está dentro de nós. É a minha essência e a sua também. Diz a respeito à nossa identidade individual.
Desde a década de 60 temos passado por enormes transformações culturais que, como enchentes ou terremotos, destruíram os nossos valores tradicionais e também a nossa auto-compreensão. Então, examinamos os destroços, identificamos como e quando essa casa foi construída, como as fundações eram precárias e entendemos que precisamos reconstruí-la…
É disso que trata a mentoria. Especialmente da percepção de que não estamos sós, de que há umoutro com o qual preciso me relacionar e de que preciso me reconstruir como pessoa em Cristo, sob a orientação de um velho e bom construtor (mentor).
Do alto de sua erudição e prática de mais de 50 anos como mentor espiritual, o Dr. Houston, nos conduz a um mergulho investigativo pela História, Filosofia e Psicanálise, revelando-nos onde estão as pedras preciosas que muito ajudarão (na condição de mentores, mentoreados, ou simplesmente como cristão) a nos reconstruirmos não mais sobre a areia, mas, sobre a rocha, como Jesus ensinou…
Dr. James M. Houston vem atuando como mentor há mais de cinqüenta anos. Formado pelas Universidades de Edimburgo e de Oxford por vinte e cinco anos. Foi reitor-Fundador do Regent College em Vancouver, Canadá, onde acumula as funções de diretor e de professor de Teologia Espiritual.
O Dr. Houston é autor de muitas obras, dentre as quais destacamos: A Fome da Alma e Orar com Deus, editados no Brasil pela Abba Press. O Dr Houston atualmente vive com sua esposa Rita em Vancouver. Ele têm quatro filhos e nove netos.

sexta-feira, outubro 17, 2014

A corrosão do caráter de Richard Sennett

Dica de Leitura
Recomendo a todos a leitura deste livro! Abaixo compartilho um breve resumo do mesmo. 

Domingos Massa
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A partir de entrevistas com executivos demitidos da IBM em Nova York, funcionários de uma padaria ultramoderna em Boston e muitos outros, Sennett estuda os efeitos desorientadores do novo capitalismo. Ele revela o intenso contraste entre dois mundos de trabalho – aquele da rigidez das organizações hierárquicas no qual o que importava era um senso de caráter pessoal, e que está desaparecendo, e o admirável mundo novo da reengenharia das corporações, com risco, flexibilidade, trabalho em rede e equipes que trabalham juntas durante um curto espaço de tempo, no qual o que importa é cada um ser capaz de se reinventar a toda hora.
Sennett desafia o leitor a decidir se a flexibilização do capitalismo moderno oferece um ambiente melhor para o crescimento pessoal ou se é apenas uma nova forma de opressão (Descrição da Livraria Saraiva).
Veja aqui o livro completo no Scribd.
PDF completo no 4Shared.
Resenha no Caderno CRH da Universidade Federal da Bahia.
Resenha na Revista Contemporânea.
Resumo do livro no NetSaber.
Referência: SENNETT, Richard. A corrosão do caráter. Tradução Marcos Santarrita. Rio de Janeiro: São Paulo: Record, 2005. 204p. (cap. 01 e 02)

quinta-feira, maio 01, 2014

25 livros que todo cristão deveria ler antes de morrer!

25 livros que todo cristão deveria ler
Sobre a Encarnação, Santo Atanásio;
Confissões, Santo Agostinho;
Ditos dos Pais do Deserto, Vários;
A Regra de São Benedito, São Benedito;
A Divina Comédia, Dante Alighieri;
A Nuvem do Não-Saber, Anônimo;
Revelações do Amor Divino (Exibições), Juliana de Norwich;
Imitação de Cristo, Thomas de Kempis;
Filocalia, Vários;
As Institutas, João Calvino;
Castelo Interior ou Moradas, Santa Teresa de Ávila;
A Noite Escura da Alma, São João da Cruz;
Pensamentos, Blaise Pascal;
O Peregrino, John Bunyan;
A Prática da Presença de Deus, Irmão Lourenço;
Um Sério Chamado a uma Vida Devota e Santa, William Law;
O Caminho de um Peregrino, Autor desconhecido;
Os Irmãos Karamázov, Fiódor Dostoiévski;
Ortodoxia, G. K. Chesterton;
A Poesia de Gerard Manley Hopkins;
Discipulado, Dietrich Bonhoeffer;
Testamento sobre Devoção, Thomas R. Kelly;
A Montanha dos Sete Patamares, Thomas Merton;
Cristianismo Puro e Simples, C. S. Lewis;
A Volta do Filho Pródigo, Henri J. M. Nouwen.

segunda-feira, dezembro 16, 2013

Por que ler os clássicos da espiritualidade?

25 livros que todo cristão deveria lerEduardo Rosa
Existem livros comuns – aqueles capazes de nos causar certo impacto, mas não estão na categoria de inesquecíveis. Existem ainda aqueles os quais podemos chamar de clássicos – são considerados assim por conseguirem, de alguma maneira, marcar profundamente os leitores. Não apenas os lemos, somos lidos por eles. Parecem nos conhecer a fundo. Traduzem pensamentos, sentimentos e crises humanas universais. Passa-se o tempo, mas continuam atuais e a “mágica” deles ainda nos seduz. É como se a nossa memória coletiva fosse uma estante na qual sempre existisse um lugar para eles, escolhidos por diferentes gerações.
A espiritualidade cristã tem seus clássicos. Lê-los não deveria ser uma opção, e sim uma prazerosa “obrigação”. Se a aceitarmos e mergulharmos decididamente no mundo que os livros nos abrem, certamente viveremos uma fascinante experiência. Não há alguém que passe por suas linhas sem ser mexido de algum modo e, até mesmo, transformado.
Os clássicos são, sobretudo e cada um a seu modo, um diário de viagem. Uma jornada rumo a uma experiência e um conhecimento mais profundo de Deus. Alguns relatam numa linguagem simbólica e até mesmo afetiva os encontros fascinantes com a presença do Eterno. Em outros, encontra-se a construção de um saber mais teológico, porém sempre enraizado na experiência contemplativa do mistério divino. É teologia sim, mas feita com o coração. Por meio desses escritos tão especiais, os homens e mulheres que fizeram esse itinerário espiritual deixaram pegadas para todos aqueles que se dispuserem a fazer a mesma rota. Os clássicos são rastros que, se seguidos, nos levam para mais perto do coração de Deus. Um aviso nunca é demais: quem se aproxima desses textos somente com interesse na informação vai se perder no caminho. Eles parecem nos exigir uma entrega mais integral; requerem razão e sensibilidade, mente e coração. Eis por que usar óculos dogmáticos pode nos cegar para a riqueza e a profundidade deles.
Além de engajar a nossa alma numa conversa mais íntima com Deus, os clássicos naturalmente nos levam a olhar para dentro de nós mesmos, revelando-nos sombras e luzes do nosso próprio ser. São ressonâncias da interioridade daqueles e daquelas que, ao ousarem olhar para Deus, também foram impelidos a enxergar a si mesmos. Por isso, tornam-se meios pelos quais podemos cultivar uma espiritualidade que nos ajuda a lidar com nossa vida interior. A sabedoria espiritual contida neles é fruto desse conhecimento de Deus, a partir do qual nosso interior é também iluminado. São livros que, por serem tão humanos, carregam em si mesmos o toque maravilhoso do divino.
Visto que um livro é considerado um clássico não como o resultado de uma votação formal, mas eleito a partir da experiência do seus leitores, é natural existirem listas diferentes. A Editora Ultimato brinda o público brasileiro com uma delas. 25 Livros que Todo Cristão Deveria Ler é um livro que traz uma das mais ricas e completas indicações de leitura dos clássicos. Sua singularidade reside no fato de que os livros foram sugeridos por pessoas de diferentes perspectivas e tradições cristãs. O ponto em comum entre elas é que, de alguma maneira, esses 25 livros marcaram a todas de um modo tão especial que os elegeram como clássicos e indicam a leitura a você. Certamente são livros que todo cristão deveria ler!
Clique AQUI para conhecer os 25 livros que todo o cristão deveria ler (além da Bíblia, claro!).
Eduardo Rosa Pedreira é pastor da Comunidade Presbiteriana da Barra da Tijuca e um dos líderes de um movimento de formação espiritual. eduardo@renovare.org.br
Fonte: Genizah

domingo, dezembro 08, 2013

Mudanças de Paradgimas na Teologia da Missão

BOSCH, David J. Missão transformadora. Mudanças de paradigma na teologia da missão. Tradução de Geraldo Korndörfer e Luís Marcos Sander. São Leopoldo/RS: Editora Sinodal, 2002. 690 p.
Autor
David J. Bosch, membro da Igreja Reformada Holandês, fez sua primeira experiência missionária na região do Transkei (1957-1971) na África do Sul. Depois, foi professor de missiologia na Universidade de Pretória por 24 anos. Duas vezes decano da Faculdade de Teologia (1974-77; 1981-87) e Secretário da Sociedade Sul-africana de missiologia desde sua instituição em 1968, foi também diretor e inspirador da importante revista Missionalia desde sua fundação em 1973. A sua produção teológica e literária, A Spirituality of the Road (1979), Witness to the World (1980), The Lord´s Prayer: Paradigm of a Christian Lifestyle (1985), The vulnerability of Mission (1991), mais uns sessenta artigos e palestras dadas no mundo inteiro, indica o seu trajeto que culminará com a publicação da obra mais prestigiosa. O seu compromisso com a situação da África do Sul nos anos 80, levou-o a recusar a oferta de assumir a cátedra de missiologia num dos mais prestigiosos seminários dos Estados Unidos. Morreu tragicamente no dia 5 de abril de 1992 num acidente de carro.
No debate missiológico contemporâneo, algumas obras destacam-se por seu valor documentativo e criativo. Uma delas é sem dúvida “Missão transformadora. Mudança de paradigmas na teologia da missão”, do autor sul-africano David Jacobus Bosch. O título original da obra, Transforming Mission, é de propósito ambíguo: pode significar a missão que se transforma, como também a missão que transforma. Nessa ambigüidade encontramos o status quaestionis da obra. A missão cristã está passando por uma crise profunda que diz respeito ao seu fundamento, às suas motivações, à sua finalidade e à sua natureza. Torna-se necessário, então, examinar as vicissitudes das missões e da idéia missionária durante os 20 séculos da história cristã para poder reconstruir algo de relevante para a atualidade e para o futuro. Com efeito, precisamos de uma nova visão de missão.
Na primeira parte, então, o autor começa sua indagação a partir dos fundamentos bíblicos: o que é missão para a Bíblia. Uma reflexão introdutória sobre o Novo Testamento como documento missionário, evidencia de maneira exaustiva que a Palavra de Deus é toda ela intrinsecamente missionária, do início até o fim, e não somente num grupo de textos. A partir desse dado, Bosch se concentra em analisar meticulosamente três modelos fundamentais de missão do Novo Testamento: a missão como fazer discípulos (Mateus); a missão como prática de perdão e solidariedade com o pobre (Lucas); a missão como convite a unir-se à comunidade escatológica (Paulo).
Em seguida, na segunda parte, o autor passa a mergulhar na analise de quatro grandes paradigmas históricos da missão: o paradigma missionário da Igreja Oriental, o da Igreja Católica da Idade Média, o da Reforma Protestante e o do movimento missionário dos séculos XIX e XX influenciado pelo Iluminismo. Este último modelo, filho do Iluminismo e reação ao mesmo, representa uma mudança radical que marca ainda hoje a atuação missionária das igrejas. Para Bosch, a identificação do movimento missionário moderno com a cultura ocidental de cunho iluminista, determinou sem dúvida a) sua cegueira frente os elementos pagãos existentes na cultura ocidental, e b) sua ignorância frente as tradições religiosas e culturais dos povos que procurava evangelizar. A prática missionária da igreja primitiva e dos monges da Idade Média foi muito diferente. Além disso, é difícil ignorar o fato do movimento missionário moderno ser impregnado de uma forte e prejudicial dose de pelagianismo e ativismo.
Na terceira parte, Bosch trata finalmente de um novo modelo de missão que está emergindo neste começo de século XXI, como crítica ao paradigma anterior. O que autor apresenta é um destilado das maiores reflexões sobre a missão a partir do Vaticano II em diante, de todos os Congressos e Assembléias protestantes e das contribuições dos principais missiólogos de todos continentes. As várias igrejas cristãs e as várias missiologias estão devidamente representadas nessa obra, o que revela uma sensibilidade ecumênica excepcional, sobretudo no conhecimento do mundo católico. Contudo, mais que uma originalidade de pensamento, Bosch sintetiza com muita competência uma enormidade de informações. Os elementos analisados e apresentados são os seguintes: Missão como Igreja-Com-os-Outros; Missão como Missio Dei; Missão como Serviço de Salvação; Missão como Busca da Justiça; Missão como Evangelização; Missão como Contextualização; Missão como Libertação; Missão como Inculturação; Missão como Testemunho Comum; Missão como Ministério do Povo de Deus; Missão como Testemunho entre os Crentes de outras religiões; Missão como Teologia; Missão como Ação na Esperança.
Na conclusão de sua obra, o autor se pergunta: afinal, para onde vai a missão? A missão é algo maior de seus projetos históricos. Ela precisa ser novamente compreendida a partir do princípio da “missão de Deus”: “não é a Igreja que ‘empreende’ a missão; é a missio Dei que constitui a Igreja” (p. 618).
Partes principais da obra
Introdução: Missão, a crise contemporânea
Parte 1: MODELOS NEOTESTAMENTÁRIOS DE MISSÃO
1. Reflexões sobre o NT como documento missionário
2. Mateus: missão como fazer discípulos
3. Lucas-Atos: a prática de perdão e solidariedade com os pobres
4. Missão em Paulo: convite para aderir à comunidade escatológica
Parte 2: PARADIGMAS HISTÓRICOS DA MISSÃO
5. Mudanças de paradigma na missiologia
6. O paradigma missionário da igreja oriental
7. O paradigma missionário católico romano medieval
8. O paradigma missionário da Reforma protestante
9. A missão na esteira do iluminismo
Parte 3: RUMO A UMA MISSIOLOGIA RELEVANTE
10. A emergência de um paradigma pós-moderno
11. A missão em um período de prova
12. Elementos de um paradigma missionário ecumênico emergente
13. Missão de muitas maneiras
Por que essa obra é referencial
Este livro foi reconhecido como uma obra monumental, magistral e uma excelente ferramenta de ensino. Tornou-se uma referência-padrão no estudo da missão, sendo talvez o livro-texto mais usado em aulas e cursos de missiologia. Para Bruno Chenu este texto é “ponto de referência para toda a reflexão histórica e atual da missão”. Para Hans Küng “a primeira a implementar a teoria dos paradigmas para entender a missão”. Para Lesslie Newbigin é considerada “um marco miliário, uma Summa Missiologica”. No âmbito de uma reflexão teológica a partir da América Latina, o estudo de “Missão transformadora” é de grande importância por dois motivos:
  1. em primeiro lugar, porque a tese principal da obra diz respeito a toda a problemática da colonização da cultura ocidental conduzida também através da evangelização: uma reflexão sobre a descolonização da missão surge das ruínas e das derrotas de uma missão de cunho iluminista;
  2. em segundo lugar, porque na construção de um novo e ecumênico paradigma da missão, Bosch coloca bastante ênfase sobre o valor de uma “teologia do contexto” e oferece uma síntese, junto a uma crítica, das principais tendências de pensamento sobre a inculturação e sobre as perspectivas missionárias emergentes.

segunda-feira, julho 29, 2013

Com vergonha do Evangelho: Quando a Igreja se torna com o mundo

Estou lendo “Com Vergonha do Evangelho: quando a igreja se torna como o mundo”, de John MacArthur. É um livro altamente recomendável, do qual ouso replicar um trecho, a seguir:

A igreja contemporânea está passando por uma revolução sem precedentes, desde a Reforma Protestante, em seus estilos de adoração. O ministério das igrejas casou-se com a filosofia de marketing, e o “filhote monstruoso” dessa união é um diligente esforço para mudar a maneira como o mundo enxerga a igreja. O ministério da igreja está sendo completamente renovado, na tentativa de torná-lo mais atraente aos incrédulos.

Os especialistas nos dizem que pastores e líderes de igrejas que desejam ser mais bem-sucedidos precisam concentrar suas energias nesta nova direção Forneça aos não-cristãos um ambiente inofensivo e agradável. Conceda-lhes liberdade, tolerância e anonimato. Seja sempre positivo e benevolente. Se for necessário pregar um sermão, torne-o breve e recreativo. Não pregue longa e enfaticamente. E, acima de tudo, que todos sejam entretidos. As igrejas que seguirem estas regras experimentarão crescimento numérico, eles nos afirmam; e as que as ignorarem estão fadadas à estagnação. [...]

A questão é que se pretende tornar a igreja “user-friendly”, ou seja, “amigável”. Esse termo vem da indústria informática e foi primeiramente aplicado para descrever um software ou um hardware que é de fácil operação para o iniciante em computação. Aplicado à igreja, costuma descrever um tipo de ministério que é benigno e extremamente não-desafiador. Na prática, torna-se uma desculpa para se importar os entretenimentos mundanos para dentro da igreja, na tentativa de atrair os não-frequentadores de igreja que estão “à procura de algo”, através de um apelo aos interesses carnais. O resultado óbvio dessa preocupação com os que não são da igreja é uma correspondente falta de cuidado para com aqueles que são a verdadeira igreja. As necessidades espirituais dos crentes geralmente são negligenciadas, e isso prejudica a igreja.

(…) Apresento a seguir algumas citações daqueles recortes, que descrevem a pregação em uma “igreja amigável”:

“Aqui não há fogo nem enxofre. Nada de pressionar as pessoas com a Bíblia. Apenas mensagens práticas e divertidas.”

“Os cultos em nossa igreja trazem consigo um ar de informalidade. Você não verá os ouvintes sendo ameaçados com o inferno ou sendo considerados como pecadores. O objetivo é fazer com que se sintam bem-vindos, não de afastá-los.”

“Como acontece com todos os pastores, a resposta é Deus – mas ele O menciona apenas no final e o faz sem muita seriedade. Nada de discursos; nada de altos brados. Nem fogo, nem enxofre. Ele nem usa a palavra que começa com a letra ‘i’. Nós chamamos isso de evangelho light. É a mesma salvação oferecida pela velha e boa religião, antiga mas com um terço a menos de culpa.”

“Aqui os sermãos são relevantes, otimistas e, o melhor de tudo, curtos. Você não ouvirá muita pregação a respeito do pecado, da condenação e do fogo do inferno. A pregação aqui nem se parece com pregação. É uma conversação sofisticada, polida e amigável. Quebra todos os padrões estereotipados.”

“O pastor está pregando mensagens bastante atuais… mensagens de salvação, mas a idéia não é tanto de salvação do fogo do inferno. Pelo contrário, é salvação da falta de significado e de propósito nesta vida. É uma mensagem mais soft, de mais fácil aceitação.” [...]

Portanto, as novas regras são: seja esperto, informal, positivo, sucinto e amigável. [...] E jamais, jamais, use a palavra “inferno”.

[...] Mas, de fato, a verdade das Escrituras está sendo omprometida, ao ser descentralizada e quando, para forjar uma amizade com o mundo, verdades duras são evitadas, diversões insípidas tomam o lugar da sã doutrina e uma verdadeira ginástica semântica é utilizada a fim de evitar a menção das verdades severas das Escrituras Sagradas. Se o objetivo é fazer sentir-se bem aquele que está à procura de algo, porventura isso não é incompatível com o ensinamento bíblico acerca do pecado, do juízo, do inferno e de vários outros assuntos importantes? Assim, por intermédio dessa filosofia a mensagem bíblica é irremediavelmente distorcida. E o que dizer sobre o crente que precisa ser alimentado?

[...] No âmago da filosofia da “igreja amigável”, movida a marketing, está o objetivo de oferecer às pessoas o que elas desejam. Os que advogam essa postura são bastante honestos quanto a isso. [...]

Avaliar com exatidão as necessidades das pessoas é, portanto, considerada uma das chaves para o crescimento no movimento moderno de crescimento de igrejas. Ensina-se aos líderes da igreja a pesquisarem os “consumidores” em potencial, para se descobrir o que estes procuram em uma igreja – e então oferecem exatamente isso. [...]

Pastores não são mais instruídos a declarar às pessoas o que Deus requer delas. Em lugar disso, são aconselhados a descobrir quais são as exigências das pessoas e fazer o que for necessário para satisfazer essas necessidades. O público é reputado como soberano, e um pregador sábio “haverá de moldar sua comunicação de acordo com as necessidades do povo, de forma a obter a resposta desejada”. [...] Isso significa que a estratégia humana, e não a Palavra de Deus, torna-se a fonte de toda a atividade eclesiástica e o padrão pelo qual o ministério é avaliado.

[...] As Escrituras dizem que os primeiros cristãos viraram o mundo de cabeça para baixo (At 17.6). Em nossa geração, o mundo está virando a igreja de cabeça para baixo. Biblicamente falando, Deus é soberano, não o incrédulo que não frequenta a igreja. A Bíblia, e não o plano de marketing, deve ser o único guia e a autoridade final para todo o ministério eclesiástico. Em vez de acalentar o egoísmo das pessoas, o ministério da igreja deveria atender às verdadeiras necessidades delas. O Senhor da igreja é Cristo e não um “Zé da poltrona” com um controle remoto nas mãos.

Não consigo ouvir a expressão “igreja amigável” sem que isso me traga à mente a passagem de Atos 5 e a história de Ananias e Safira. O que se passou naquela ocasião desafia abertamente quase toda a teoria contemporânea de crescimento da igreja.

A igreja de Jerusalém não era nem um pouco “amigável”. Aliás, era exatamente o oposto. Lucas nos informa que esse episódio inspirou “grande temor a toda a igreja e a todos os que ouviram a notícia destes acontecimentos” (At 5.11).

O culto daquele dia foi tão perturbador, que nenhum dos que não frequentavam a igreja ousou juntar-se a eles.

O só pensar em frequentar aquela igreja aterrorizava o coração daquelas pessoas, apesar de os terem em alto conceito (At 5.13).

A igreja, sem dúvida alguma, não era um lugar para os pecadores sentirem-se à vontade, era um lugar que causava medo!

MacARTHUR, John. Com vergonha do evangelho: quando a igreja se torna como o mundo. São José dos Campos, SP: Ed. Fiel, 2009, p. 43-53.