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terça-feira, agosto 02, 2016

“Os Evangélicos e o Papa. Olhares de lideranças evangélicas sobre a Encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco”: um livro provocante

Este livro organizado pelo pastor metodista Claudio de Oliveira Ribeiro será publicado pela editora Reflexão no final de março 2016. Representa a diversidade do quadro religioso evangélico brasileiro. Reúne olhares de batistas, metodistas, presbiterianos, pentecostais, luteranos, reformados e anglicanos. Homens e mulheres, jovens, pastores e pastoras que atuam na base das igrejas, pessoas que se dedicam à academia, clérigos, clérigas, leigas e leigos.
Assim, motivados por um líder católico romano, o Papa Francisco, e pela vocação maior do Evangelho traduzida nos compromissos éticos com a manutenção e promoção da vida, em todas as suas dimensões e concretude, tais líderes propõem reflexões interessantes e pertinentes.
Na primeira parte, há análises ecumênicas de Olav Fykse Tveit, secretário geral do Conselho Mundial de Igrejas, de Magali Do Nascimento Cunha, da pastora anglicanaCarmen Kawano e do bispo metodista Paulo Ayres Mattos. Na segunda parte, olhares denominacionais e que levam em conta a realidade das igrejas: Alonso S. Gonçalves(batista), Helmut Renders (metodista), David Mesquiati (pentecostal), Carlos Jeremias Klein (presbiteriano), Carlos Eduardo Calvani Ingrit Jampietri (anglicano) eFernando Bortolleto Filho (presbiteriano). Na terceira parte, olhares globais com os textos deEdson FernandoMarga Janete StröherRomi Márcia BenckeAlessandro Rocha, Jorge Pinheiro e Rosi Schwantes. A quarta parte foi dedicada a jovens com os textos de Maryuri Mora Grisales, da Rede Ecumênica de Juventude, Cláudio Augusto, do CEBI de Belém-PA,André Magalhães CoelhoThiago Rafael Englert Kelm, pentecostais, e Fabio Martelozzo Mendes, da assessoria de direitos humanos da Igreja Metodista em São Paulo. O livro está dedicado à Jether Pereira Ramalho, destacado líder ecumênico, que nos seus quase 94 anos de idade nos inspira sempre.
O Papa Francisco, ao promulgar a Encíclica Laudato Si’, recria, de forma belíssima e corajosa, o vínculo perdido da liderança católico-romana com as transformações teológicas e pastorais propostas e decorrentes do Concílio Vaticano II (1962-1965). A nova encíclica está em consonância com atitudes e palavras do pontífice desde os seus primeiros dias como papa, que sinalizam um estilo pastoral mais aberto, progressista e despojado para a igreja. Portanto, não se trata de um documento isolado, mas articulado com a referida recriação da “primavera conciliar” que encantou o mundo nos anos de 1960. Com esse elo surge um potencial criativo de novos ares para a Igreja Católica Romana.
Nossa consideração é que a força simbólica da encíclica, somada aos conteúdos sociopolíticos nela presentes, redundará em reforço das perspectivas mais abertas e críticas ao sistema econômico dos diferentes grupos da sociedade. O mesmo se dará com as demais igrejas cristãs (ou grupos e setores dentro delas) que advogam posicionamentos críticos em relação aos temas sociais e ecológicos. Ou seja, a encíclica, ao lado de posturas teológicas e pastorais mais abertas do Papa Francisco, contribuirá para que a força de grupos progressistas e ecumênicos das igrejas cristãs – evangélicas, anglicanas e orientais – aumente. Isso já tem se dado desde o início do pontificado dele e agora ganha impulso com a carta.

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segunda-feira, julho 11, 2016

10 livros de Giorgio Agamben em PDF para download gratuito


Publicado Originalmente no Colunas Tortas
Ele é um dos filósofos mais influentes do contemporâneo, por isso disponibilizamos 10 livros de Giorgio Agamben em PDF para download gratuito.
Agamben nasceu em 1942, na cidade de Roma, e utiliza desde autores clássicos a companheiros da atualidade (como Foucault e Deleuze) para desenvolver suas análises.
Talvez seu livro mais famoso seja Estado de Exceção, em que observa as situações em que aquilo é improvável de se tornar legal, de repente, torna-se. Ele chega à conclusão de que o Estado de exceção é a nova forma de atuação dos Estados modernos.
Diante do incessante avanço do que foi definido como uma “guerra civil mundial”, o estado de exceção tende sempre mais a se apresentar como o paradigma de governo dominante na política contemporânea. Esse deslocamento de uma medida provisória e excepcional para uma técnica de governo ameaça transformar radicalmente – e, de fato, já transformou de modo muito perceptível – a estrutura e o sentido da distinção tradicional entre os diversos tipos de constituição. O estado de exceção apresenta-se, nessa perspectiva, como um patamar de indeterminação entre democracia e absolutismo.
O autor conclui, quando comenta a lei e sua aplicação,
Entretanto, e determinante que, em sentido técnico, 0 sintagma “força de lei” se refira, tanto na doutrina moderna quanto na antiga, não a lei, mas aqueles decretos – que tem justamente, como se diz, força de lei – que 0 poder executivo pode, em alguns casos – particularmente, no estado de exceção – promulgar. 0 conceito “força-de-Iei”, enquanto termo técnico do direito, define, pois, uma separação entre a vis obligandi ou a aplicabilidade da norma e sua essência formal, pela qual decretos, disposições e medidas, que não são formalmente leis, adquirem, entretanto, sua “força”.
Suas obras lidam com a dificuldade da ação política na contemporaneidade e junto a Deleuze, pensou as formas de biopolítica dos Estados atuais. Giorgio Agamben também é grande pesquisador do direito romando e da figura única do Homo Sacer, o sujeito que, após cometer um delito, não é digno o bastante para ser sacrificado aos deuses, ao mesmo tempo, caso encontrado por algum cidadão, pode ser morto sem que seu algoz seja imputado como homicida.
Ao contrário de Walter Benjamin, que acreditava que a vida nua se iniciava quando o direito não mais cobria o sujeito, para Agamben esta vida se encontra no paradoxo específico da própria inclusão e depois exclusão do sujeito de direito. A vida se torna matável através da ordem jurídica do poder soberano. É a ordem jurídica que torna o sujeito passível de morte, excluído do direito.

Livros de Giorgio Agamben em PDF

Disponibilizamos abaixo, 10 livros de Giorgio Agamben em PDF, para baixar basta clicar em qualquer livro:
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sexta-feira, julho 01, 2016

TERRA ROUBADA: Para uma compreensão sobre a natureza do Estado de Israel e da Questão Palestina

Olá Pessoal!

Hoje quero compartilhar com vocês o livro do meu amigo e querido amigo Altierez dos Santos.

Este livro é uma oferta para a reflexão sobre a questão israelense-palestina e pretende ajudar as pessoas a entenderem algumas coisas que não são claras sobre esse assunto tão complexo. É um livro-denúncia sobre um tema que já se construiu no imaginário de nossa sociedade como percepção distorcida ou incompleta sobre a questão. Quando se fala em Jerusalém, Israel ou Palestina, quase sempre vem à mente de muitas pessoas a imagem de um homem vestido à moda árabe, com barba e olhar sanguinário, pronto para explodir bombas e atingir “civis”. Embora ocasionalmente isso realmente tenha ocorrido, a realidade do Oriente Médio é muito diferente dessa concepção que as mídias corporativas apresentam ao Ocidente.

Há razões humanitárias para divulgar as informações que este livro traz. Algumas podem não ser informações novas, mas certamente são ocultadas ou apresentadas de forma distorcida. Ainda que não sejam novas, têm o valor da denúncia. Por isso, seguindo a prática do conhecimento colaborativo, assim que ler este livro, repasse-o para outras pessoas. É possível que muitos leitores bem intencionados cheguem a duvidar dos fatos aqui narrados, mas isso é algo muito bom, pois a dúvida permite o benefício da procura pela verdade, por isso este livro pode ser um ponto de partida para uma compreensão mais clara sobre a questão.


SANTOS, Altierez Sebastião dos. Terra roubada: para uma compreensão sobre a natureza do Estado de Israel e da Questão Palestina. São Paulo: Clube de Autores/ Edição do Autor, 2016.

Espero que gostem! 

Abraços! 

Domingos Massa 

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quinta-feira, junho 23, 2016

Relação obras completas de Giorgio Agamben Publicadas


A  -   OBRAS DE AGAMBEN PUBLICADAS NA ITÁLIA.
01. L'uomo senza contenuto, Milano, Rizzoli, 1970 (Macerata, Quodlibet, 1994)
02. Stanze. La parola e il fantasma nella cultura occidentale, Torino, Einaudi, 1979, reedição ed. Einaudi.
03. Infanzia e storia. Distruzione dell'esperienza e origine della storia, Torino, Einaudi 1979
04. Il linguaggio e la morte, Torino, Einaudi, 1982
05. La fine del pensiero, Paris, Le Nouveau Commerce, 1982
06. Idea della prosa, Milano, Feltrinelli, 1985 (Macerata, Quodlibet, 2002)
07. La comunità che viene, Torino, Einaudi, 1990
08; Bartleby, la formula della creazione, Macerata, Quodlibet, 1993, com Gilles Deleuze 
09. Homo sacer. Il potere sovrano e la nuda vita, Torino, Einaudi, 1995
10. Mezzi senza fine. Note sulla politica, Torino, Bollati Boringhieri, 1996
11. Categorie italiane, Venezia, Marsilio, 1996
12. Image et mémoire, Paris, Hoëbeke, 1998
13. Quel che resta di Auschwitz. L'archivio e il testimone, Torino, Bollati Boringhieri, 1998
14. Il tempo che resta, Torino, Bollati Boringhieri, 2000
15. L'aperto. L'uomo e l'animale, Torino, Bollati boringhieri, 2002
15. L'ombre de l'amour, Paris, Rivages, 2003 (con Valeria Piazza)
16. Stato di Eccezione, Torino, Bollati Boringhieri, 2003
17. La potenza del pensiero. Saggi e conferenze, Neri Pozza, 2005.
18. Profanazioni, Nottetempo, 2005
19. Che cos'è un dispositivo?, Nottetempo, 2006
20. L'Amico, Nottetempo, 2007
21. Ninfe, Torino, Bollati Boringhieri, 2007
22. Il regno e la gloria. Per una genealogia teologica dell'economia e del governo. Homo sacer. Vol 2/2, Neri Pozza, 2007
23. Che cos'è il contemporaneo?, Nottetempo, 2008.
25. "Il sacramento del linguaggio. Archeologia del giuramento", 2008
26. Signatura rerum. Sul Metodo, Torino, Bollati Boringhieri, 2008
27. Angeli. Ebraismo Cristianesimo, Islam, a cura di E. Coccia e G. Agamben. Vicenza, Neri Pozza, 2009
28. La Chiesa e il Regno, Roma, Nottetempo, 2010
29. La ragazza indecibile. Mito e mistero di Kore (con Monica Ferrando), Milano, Electa Mondadori, 2010.
30. Altissima povertà. Regola e forma di vita nel monachesimo. Homo sacer. Vol 4/1, Vicenza, Neri Pozza, 2011
31. Opus Dei. Archeologia dell’ufficio. Homo sacer. Vol 2/5, Torino, Bollati Boringhieri, 2012

B  - OBRAS DE AGAMBEN PUBLICADAS NO BRASIL E EM PORTUGAL
01. A Comunidade que Vem. Tradução de António Guerreiro. Lisboa: Presença, 1993.
     A Comunidade que Vem. Tradução de Claudio Oliveira. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2013.
02. Homo Sacer: O Poder Soberano e a Vida Nua. Tradução de António Guerreiro. Lisboa: Presença, 1998.
      Homo Sacer: o poder soberano e a vida nua I. Tradução de Henrique Burigo. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002.
03. Fim do Pensamento. Tradução de Alberto Pucheu Neto, 7 Letras, Rio de Janeiro, 2004.
04. Estado de Exceção. Tradução de Iraci Poletti. São Paulo: Boitempo, 2004.
05. Infância e História: destruição da experiência da história. Tradução de Henrique Burigo. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2005.
06. Linguagem e Morte: um seminário sobre o lugar da negatividade. Tradução de Henrique Burigo, Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2006.
07. Estâncias: a palavra e o fantasma na cultura ocidental. Tradução de Selvino Assmann. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2007.
08. Profanações. Tradução de Luísa Feijó. Lisboa: Cotovia, 2006; Tradução de Selvino Assmann. São Paulo, Boitempo, 2007.
09. O que resta de Auschwitz. Tradução de Selvino J. Assmann. São Paulo: Boitempo, 2008.
10. Escrita da Potência. Tradução de Pedro A.H. Paixão e Manuel Rodrigues. Lisboa: Assírio & Alvim, 2008.
11. “O Aberto. O homem e o animal". Tradução de André Dias e Ana Bigotte Vieira. Lisboa: Edições 70, 2011.
       O Aberto – o homem e o animal. São Paulo: Editora Civilização Brasileira, 2013.
12. O sacramento da linguagem. Arqueologia do juramento. Tradução de Selvino José Assmann. Belo Horizonte: UFMG, 2011.)
10. Ideia da Prosa. Tradução, prefácio e notas de João Barrento. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2012.
12. O Homem Sem Conteúdo. Tradução, notas e posfácio. Claudio Oliveira. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2012.
13. Opus Dei: Arqueologia do Oficio: homo sacer, II,5. Tradução Daniel Arruda Nascimento. São Paulo: Boitempo, 2013.
14. A Potência do Pensamento. Lisboa: Relógio d´agua, 2013.
15. "O que é o contemporâneo? e outros ensaios." Tradução de Vinícius Nicastro Honesko. Chapecó - SC: Argos, 2009.  Obs.: Nesta coletânea estão os textos: O que um dispositivo; O que é o contemporâneo; O Amigo
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sexta-feira, junho 17, 2016

Avaliações teológicas sobre o pluralismo religioso.


Olá Pessoal! 

Abaixo alguns artigos e links que foram publicados nos ultimos anos que tratam de Avaliações Teológicas sobre Pluralismo Religioso, publicado pelo Prof. Dr. Cláudio Ribeiro,e seus respectivos links para ter acesso a leitura.

Espero que gostem!

Domingos Massa

 

1. "Pluralismo e religiões: bases ecumênicas para uma teologia das religiões". Estudos de Religião, v. 26, n. 42, p. 209-237, 2012.
Apresenta bases significativas de uma teologia ecumênica das religiões, considerando os desafios do tempo presente, em especial o pluralismo religioso e cultural, e tendo em vista a construção de uma lógica plural para o método teológico. Apresenta, também, sínteses da visão de autores que têm dado uma contribuição relevante para o tema, como Paul Knitter, Andrés Torres Queiruga, Roger Haight e John Hick, no campo europeu e estadunidense, e José Maria Vigil, Marcelo Barros, Diego Irarrazaval e Faustino Teixeira, no campo latino-americano.

2. "Ecumenismo, pluralismo e religiões: a busca de novos referenciais teóricos". Revista Eclesiástica Brasileira (REB), v. 72, n. 287, p. 651-663, 2012.
Como indicativo da necessidade de novos referenciais teóricos para as ciências da religião está uma compreensão mais adequada da diversificação cada vez mais visível do quadro religioso e o crescente anseio da parte de diferentes grupos pelos diálogos interreligiosos, não obstante ao simultâneo fortalecimento das propostas de cunho fundamentalista. Este panorama tem implementado novas perspectivas hermenêuticas, teológicas ou não, mas ainda possui no horizonte a maior parte de suas questões. Estas também necessitam ser formuladas de maneira mais adequada e debatidas com profundidade.

3. "Religiões e Paz: perspectivas teológicas para uma aproximação ecumênica das religiões". Horizonte, v. 10, n. 27, p. 917-936, 2012.
Trata das possibilidades de uma teologia ecumênica das religiões tendo como eixo articulador a preocupação pela paz, pela justiça e pela integridade da criação. O objetivo é analisar temas de destaque para o cenário das análises sociais e teológicas como: a) O valor do humano e da ética social para o diálogo interreligioso, b) As possibilidades de uma unidade aberta, convidativa e integradora no âmbito das religiões; c) A importância pública das religiões; d) As religiões como códigos de comunicação; e) O poder do império e o poder do diálogo das religiões. Para isso, recorre-se às contribuições de Hans Küng, Jürgen Moltmann, Julio de Santa Ana, Xavier Pikaza e José Comblin respectivamente.

4. "A teologia diante das culturas afro-indígenas: interpelações ao método teológico". Numen, v. 15, n.2, p. 515-535, 2012.
Reflexão sobre questões que interpelam o método teológico, suscitadas pela realidade das culturas afro-indígenas, especialmente a relação entre subjetividade e racionalidade.  As realidades das culturas religiosas afro-indígenas que marcam o contexto latino-americano, se consideradas pela reflexão teológica, em postura de diálogo crítico e interpelador, possibilitam uma revisão do método teológico em diferentes aspectos. Dois deles são destacados no texto: O primeiro é o alargamento da visão sobre a realidade, sobre o ser humano e sobre o cosmo baseado na primazia da vivência comunitária em detrimento das lógicas doutrinais e formais, e também na maior ênfase na dimensão do despojamento e da autodoação em contraposição às formas cristológicas sacrificialistas; descartadas, no entanto, as muitas idealizações das referidas culturas feitas por diferentes círculos. O segundo é que as dimensões de subjetividade e as experiências lúdicas e rituais dos grupos religiosos afro-indígenas, uma vez vistas como interpelação à teologia cristã, redimensionaria o caráter fortemente racional nela presente e geraria novas sínteses entre fé e ações práticas.

5. "Pluralismo e religiões: a questão cristológica em foco". Horizonte, v. 11, n. 29, p. 353-380, 2013.
O texto apresenta uma perspectiva cristológica plural na relação interreligiosa, a partir da visão de que cada expressão religiosa tem a sua proposta salvífica e de fé que devem ser aceitas, respeitadas, valorizadas e aprimoradas a partir de um diálogo e aproximação mútuas. Tal perspectiva não anula nem diminui o valor das identidades religiosas - no caso da fé cristã, a importância de Cristo -, mas leva-as a um aprofundamento e amadurecimento, movidos pelo diálogo e pela confrontação justa, amável e corresponsável. Assim, a fé cristã, por exemplo, seria reinterpretada a partir do confronto dialógico e criativo com as demais fés. O mesmo deve se dar com toda e qualquer tradição religiosa. Consideramos que tal visão, em certo sentido, supera outros modelos como aquele que considera Jesus Cristo e a Igreja como caminho exclusivo de salvação; o que considera Jesus Cristo como caminho de salvação para todos, ainda que implicitamente, o que se denominou inclusivismo; e a perspectiva relativista na qual Jesus é o caminho para os cristãos, enquanto para os outros o caminho é a sua própria tradição, sem maiores esforços de autocríticas, revisões e mútua interpelação. Na visão pluralista, os elementos chaves da vivência religiosa e humana em geral são alteridade, respeito à diferença e o diálogo e cooperação prática e ética em torno da busca da justiça, da paz e do bem-comum. A aproximação e o diálogo entre grupos de distintas expressões religiosas cooperam para que elas possam construir ou reconstruir suas identidades e princípios fundantes.

6."Teologia e espiritualidade ecumênica: implicações para o método teológico a partir do diálogo interreligioso". Estudos Teológicos, v. 53, n.1, p. 57-73, jan/jun 2013.


Diante do pluralismo religioso faz-se necessária para a teologia das religiões uma atenção especial à articulação entre a capacidade de diálogo dos grupos religiosos e os desafios em torno da defesa dos direitos humanos e da promoção da paz, pressupondo que a espiritualidade ecumênica requer visão dialógica, alteridade, profunda sensibilidade com as questões que afetam a vida humana e inclinação para os processos de humanização, favorecendo assim perspectivas utópicas, democráticas e doadoras de sentido na sociedade.
http://periodicos.est.edu.br/index.php/estudos_teologicos/article/view/281/792
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Para ler Paul Tillich


INTRODUÇÃO

Nossa abordagem visa procurar inspiração e não tomar as idéias e argumentos de Paul Tillich como cânon. Entendemos que seus escritos foram elaborados sob condições especiais e refletem conjunturas e realidades peculiares à modernidade do século XX e por isso nos servem de roteiro para reflexão e não como palavra revelada.
Herdeiro do pensamento alemão do século XIX, Paul Tillich é devedor do idealismo alemão, em especial de Hegel e Schelling, mas é a partir de 1919, na Alemanha destruída pela I Guerra Mundial que começa a trabalhar sobre a idéia de uma teologia da cultura.
Para Tillich, cultura tem uma leitura diferente daquela que terá para a antropologia da segunda metade do século XIX, que inclui a produção humana em toda a sua riqueza e diversidade. Para ele, cultura é a produção da intelectualidade ilustrada européia.
E por baixo das manifestações culturais específicas se faz presente a religião. Assim, para Tillich, a religião expressa o Incondicionado, dando margem a manifestações especiais, que se apresentam enquanto cultura. Daí seu interesse em manter um permanente diálogo com artistas, escritores e com o mundo social-democrata da época.
Dessa maneira, durante toda sua vida Tillich será um teólogo da cultura e um filósofo da religião.
1.BREVE RESUMO HISTÓRICO
Paul Tillich nasceu na Prússia, na aldeia de Starzeddel, província de Brandeburgo, em1986, filho de pastor luterano. Morreu em 1965 nos Estados Unidos.
1910 — Graduou-se doutor em Filosofia, em Breslau.
1912 – Licenciou-se em Teologia (Halle) e tornou-se capelão militar. Burguês liberal e idealista, nessa época, chegou à conclusão que as classes pobres eram exploradas pela aristocracia fundiária, pelo Exército, pela Igreja e pelo Estado.
1915 – A grande transformação
“A transformação ocorreu durante a batalha de Champagne, em 1915. Houve um ataque noturno. Durante toda a noite, não fiz outra coisa senão andar entre feridos e moribundos. Muitos deles eram meus amigos íntimos. Durante toda aquela longa e terrível noite, caminhei entre filas de gente que morria. Naquela noite, grande parte da minha filosofia clássica ruiu em pedaços; a convicção de que o homem fosse capaz de apossar-se da essência do seu ser, a doutrina da identidade entre essência e existência… Lembro-me que sentava entre as árvores das florestas francesas e lia Assim Falou Zaratustra, de Nietzsche, como faziam muitos outros soldados alemães, em contínuo estado de exaltação. Tratava-se da liberação definitiva da heteronomia. O niilismo europeu desfraldava o dito profético de Nietzsche, ‘Deus está morto’. Pois bem, o conceito tradicional de Deus estava mesmo morto”. Revista Time, 6/5/59, p. 47.
Para Tillich era preciso abandonar aquele Deus concebido pela teologia do século 19 e fazer o cristianismo responder aos problemas e às exigências contemporâneas.
1920 – Escreve Cristianismo e Socialismo.
Funda, então, na Alemanha, após a Primeira Grande Guerra, um movimento chamado Socialismo Religioso, que tinha por base a afirmação de que “sem fundamento religioso nenhuma sociedade pode salvar-se da destruição”. Apesar de seus esforços a classe operária alemã não adere ao movimento, como Tillich pretendia. O movimento fracassa.
1925 – Começa a escrever sua Teologia Sistemática, cujo primeiro volume só será publicado em 1952.
1933 – Escreve A Decisão Socialista, que é apreendida pela polícia nazista, levando-o a migrar para os Estados Unidos, nesse mesmo ano. Nos EUA, leciona primeiro no Union Theological Seminary, depois, já aposentado na Universidade de Harvard e no final de sua vida no Divinity School de Chicago, onde morre em 1965.
Paul Tillich sofreu influência da teologia dialética de Barth (mais tarde se tornarão adversários declarados) e do existencialismo de Heidegger. Mas, na verdade, sua reflexão terá dois direcionamentos: busca redefinir o conceito de religião (Filosofia da Religião, 1925) e mostrar a interdependência entre religião e cultura (Teologia da Cultura, 1959). Sua Teologia Sistemática está umbilicalmente ligada a essa preocupação.
“Caso perguntasse a uma pessoa que tivesse ficado impressionada com os mosaicos de Ravena ou com as pinturas da cúpula da Capela Sistina ou com os retratos do último Rembrandt, se sua experiência teria sido religiosa ou cultural, ela acharia difícil responder a tal pergunta. Poderia ser correto dizer que essa experiência é cultural na forma e religiosa na substância. É cultural porque não está vinculada a um ato ritual específico, mas é religiosa porque toca o problema do Absoluto e os limites da existência humana” [Sulla linea di confine, p.77].
2. TEOLOGIA
É considerado o maior pensador sistemático do século 20. Sua teologia pode ser situada como um meio caminho entre a teologia liberal e a neo-ortodoxia.
Harnack (razão)versus Barth (fideísmo).
Tillich – princípio da correlação.
Seu princípio hermenêutico é o princípio da correlação.
Princípio da Correlação
Os elementos relacionados só podem existir juntos. É impossível que um aniquile a existência do outro. Com o princípio da correlação a reflexão teológica desenvolve-se entre dois pólos: a verdade da mensagem cristã e a interpretação dessa verdade, que deve levar em conta a situação em que se encontra o destinatário da mensagem. E situação não diz respeito ao estado psicológico ou sociológico do destinatário, mas “as formas científicas e artísticas, econômicas, políticas e éticas, nas quais [os indivíduos e grupos] exprimem as suas interpretações da existência”.
Exemplos
O eu não pode existir sem o mundo, nem o mundo sem o eu.
A fé não pode existir sem a dúvida, nem a dúvida sem a fé.
Outros pensadores, como Platão, Aristóteles e Tomás de Aquino utilizaram o princípio da correlação, mas Tillich o transformou em princípio hermenêutico por excelência.
Para Tillich o fazer teologia deve partir de uma correlação epistemológica, que ele divide em três momentos: Razão/Revelação; Razão/fé; Filosofia/Teologia.
Sua Teologia Sistemática divide-se em cinco grandes blocos
Razão e Revelação. “A razão não resiste à revelação. Ela pergunta pela revelação. Pois revelação significa a reintegração da razão” [Teologia Sistemática, Sinodal, 1984, p. 85].
O Ser e Deus. “É a finitude do ser que conduz à questão de Deus”. (Idem, p. 143).
A Existência e o Cristo. “… o termo ‘Novo Ser’, quando aplicado a Jesus como o Cristo, indica o poder que nele vence a alienação existencial ou, expresso em forma negativa, o poder de resistir às forças da alienação. Experimentar o Novo Ser em Jesus como o Cristo significa experimentar o poder que nele venceu a alienação existencial em si mesmo e em todos aqueles que têm parte com ele”. [Systematic Theology II, p. 125].
A Vida e o Espírito.
A História e o Reino de Deus.
3. TEXTOS PARA SE ENTENDER TILLICH
A dimensão religiosa na vida espiritual do homem
Paul Tillich, Teologia de la cultura y otros ensayos, A dimensão religiosa na vida espiritual do homem, Buenos Aires, Amorrortu Editores, 1974, pp. 16-17. (Este texto foi publicado originalmente em Man’s right to knowledge, Columbia University Press, 1954).
Em tais circunstâncias, desprovida de um lar, de um lugar onde estabelecer sua morada, a religião descobre logo que não é necessária tal morada, que não necessita procurar um lar. Seu lar está em todas partes, quer dizer, na profundeza de todas as funções da vida espiritual do homem.
A religião é a dimensão da profundidade em todas elas, é o espectro da profundidade na totalidade do espírito humano.
O que significa a metáfora profundidade? Significa que o aspecto religioso aponta em direção àquilo que, na vida espiritual do homem, é último, infinito e incondicional. No sentido mais amplo e fundamental do termo, religião é preocupação última. E a preocupação última se manifesta em absolutamente todas as funções criativas do espírito humano.
Manifesta-se na esfera moral com a seriedade incondicional do imperativo moral; donde, quando alguém rechaça a religião em nome da função moral do espírito humano, rechaça a religião em nome da própria religião.
Manifesta-se no reino do conhecimento como a busca apaixonada de uma realidade última; por isso, quando alguém rechaça a religião em nome da função cognitiva do espírito humano, rechaça a religião em nome da própria religião.
Manifesta-se na função estética do espírito humano como o anelo infinito de expressar um significado último; donde, quando alguém rechaça a religião em nome da função estética do espírito humano, rechaça a religião em nome da própria religião.
A religião constitui a substância, o fundamento e a profundidade da vida espiritual do homem. Eis o aspecto religioso do espírito humano.
Kairós
Paul Tillich, História do pensamento cristão, Kairós, São Paulo, ASTE, 2000, p. 24.
Segundo o apóstolo Paulo sem sempre existe a possibilidade de acontecer o que, por exemplo, aconteceu no aparecimento de Jesus, o Cristo. A vinda de Jesus se deu num momento especial da história em que tudo estava preparado. Vamos discutir agora essa “preparação”. Paulo fala de kairós, para descrever o sentimento de que o tempo estava pronto, maduro, ou preparado.
Esta palavra grega exemplifica a riqueza da língua grega em comparação com as línguas modernas. Só temos um vocábulo para “tempo”. Os gregos têm dois, chronos e kairos. Chronos é o tempo do relógio, que se pode medir, como aparece em palavras como cronologia e cronômetro.
Kairós não tem nada a ver com esse tempo quantitativo do relógio, mas se refere ao tempo qualitativo da ocasião, o tempo certo. Algumas histórias do Evangelho falam desse tempo. Determinados fatos acontecem quando o tempo certo, o kairós, chega.
Quando se fala em kairós se quer indicar que alguma coisa aconteceu tornando possíveis ou impossíveis certas ações. Todos nós experimentamos momentos em nossas vidas quando sentimos que agora é o tempo certo para agirmos, que já estamos suficientemente maduros, que podemos tomar decisões. Trata-se do kairós.
Foi nesse sentido que Paulo e a igreja primitiva falaram de kairós, o tempo certo para a vinda de Cristo. A igreja primitiva e Paulo até certo ponto tentaram mostrar por que esse tempo era o tempo certo, e de que maneira o seu aparecimento tinha sido possibilitado por uma constelação providencial de fatores.
A luta entre o tempo e o espaço
Paul Tillich, Teologia de la cultura y otros ensayos, A luta entre o tempo e o espaço, Buenos Aires, Amorrortu Editores, 1974, pp. 40-42.
O Deus do tempo é o Deus da história. Isso significa em primeiro lugar, que é o Deus que atua na história com destino a uma meta final. A história segue uma direção, algo novo há de criar-se nela e por intermédio dela.
Essa meta designa-se de várias maneiras: bem-aventurança universal, vitória sobre os poderes demoníacos representados pelas nações imperialistas, chegada do Reino de Deus na história e, mais além da história, transformação da forma do mundo, etc.
Os símbolos são muitos – alguns mais imanentes, como no profetismo antigo e no moderno protestantismo, outros mais transcendentes, como nas doutrinas apocalípticas posteriores e no cristianismo tradicional –, mas em todos os casos o tempo dirige, cria algo novo, uma “nova criatura”, como chama Paulo.
O trágico círculo do espaço foi superado. A história tem um princípio e um fim definidos.
No profetismo, a história é história universal. Negam-se as limitações espaciais, as fronteiras entre as nações. Para Abraão todas as nações serão benditas, todas poderão adorar a Deus no monte Sião, o sofrimento da nação escolhida tem o poder de salvar todas as demais. O milagre do Pentecostes supera as diferenças do idioma.
Em Cristo salva-se e une-se o cosmo, o universo. Em sua tentativa de criar uma consciência humana indivisa, as missões têm um caráter universal. O tempo alcança plenitude na história e a história a alcança no reino universal de Deus, o reinado da justiça e da paz.
Isso nos leva ao ponto decisivo da luta entre o tempo e o espaço. O monoteísmo profético é o monoteísmo da justiça. Os deuses do espaço suprimem, necessariamente, a justiça. O direito ilimitado de todo deus espacial choca inevitavelmente com o direito ilimitado de outro deus espacial. A vontade poder de um dos grupos não pode fazer justiça ao outro. Isso é válido para os grupos poderosos que operam dentro da nação e para as próprias nações.
O politeísmo, a religião do espaço, é forçosamente injusto. O direito ilimitado de todo deus do espaço anula o universalismo implícito na idéia de justiça.
Este é o único significado do monoteísmo profético. Deus é um porque a justiça é uma. A ameaça profética que pende sobre o povo eleito, de ser rechaçado por Deus, por causa da injustiça, é a verdadeira vitória sobre os deuses do espaço.
A interpretação da história que nos dá o dêutero-Isaías, segundo o qual Deus chama os demais povos para castigar o povo por Ele escolhido, devido à sua injustiça, confere a Deus um caráter universal.
A tragédia e a injustiça são próprias dos deuses do espaço; a realização histórica e a justiça o são de Deus que atua no tempo, e por seu intermédio, unindo no amor o vasto espaço de seu universo.
Entre a heteronomia e a autonomia
Paul Tillich, Teologia de la cultura y otros ensayos, Entre a heteronomia e a autonomia, Buenos Aires, Amorrortu Editores, 1974, pp. 239-240.
Todo sistema político requer autoridade, não só no sentido de possuir instrumentos de força, mais também em termos de consentimento mudo ou manifesto das pessoas. Tal consentimento só é possível se o grupo que está no poder representa uma idéia poderosa, que goze de significado para todos.
Existe, pois, na esfera política uma relação entre a autoridade e a autonomia, relação que em meu ensaio Der Start als erwartung und aufgabe (O Estado como promessa e como tarefa) caracterizei como segue:
“Toda estrutura política pressupõe poder e, conseqüentemente, um grupo que o assume. Posto que um grupo de poder é também um conglomerado de interesses opostos a outras unidades de interesses, sempre necessita uma correção. A democracia está justificada e é necessária na medida em que é um sistema que incorpora correções contra o uso errôneo da autoridade política. (…) Os sistemas ditatoriais carecem de correções contra o abuso da autoridade por parte do grupo de poder. O resultado é a escravidão da nação inteira e a corrupção da classe dirigente”.
O conflito de Lutero com os evangélicos radicais
Paul Tillich, História do pensamento cristão, O conflito de Lutero com os evangélicos radicais, São Paulo, ASTE, 2000, p. 238.
Em primeiro lugar, (os evangélicos radicais) atacavam a doutrina de Lutero a respeito da Escritura. Deus não falara apenas no passado, tornando-se mudo no presente. Sempre falou; fala nos corações ou nas profundezas de qualquer ser humano preparado para ouvi-lo por meio de sua própria cruz. O Espírito habita nas profundezas do coração, não o nosso, naturalmente, mas o de Deus. Thomas Münstzer, o mais criativo dos evangélicos radicais, acreditava que o Espírito podia sempre falar por meio dos indivíduos. No entanto, para se receber o Espírito era preciso participar da cruz.
“Lutero, dizia ele, prega um Cristo doce, um Cristo do perdão. Devemos também pregar o Cristo amargo, o Cristo que nos chama a carregar sua cruz.”
A cruz, diríamos, representava a situação limite. Era externa e interna. Surpreendentemente, Münstzer expressa esta idéia em termos existencialistas modernos. Quando percebemos a finidade humana, desgostamo-nos com a totalidade do mundo. E nos tornamos pobres de espírito. O homem é tomado pela ansiedade de sua existência de criatura e descobre que a coragem é impossível. Nesse momento Deus se manifesta e ele é transformado. Quando isso acontece, o homem pode receber revelações especiais. Pode ter visões pessoais não apenas a respeito de teologia como um todo, mas sobre assuntos de vida diária.
Entre o luteranismo e o socialismo
Paul Tillich, Teologia de la cultura y otros ensayos, Entre o luteranismo e o socialismo, Buenos Aires, Amorrortu Editores, 1974, pp. 259-263.
É relativamente simples chegar ao socialismo quando se parte do calvinismo, em especial em suas formas mais secularizadas da última época; o caminho está muito mais cheio de obstáculos quando passa pelo luteranismo.
Sou luterano de berço, educação, experiência religiosa e reflexão teológica. Nunca me situei no limite entre o luteranismo e o calvinismo, nem sequer depois de experimentar as desastrosas conseqüências da ética social luterana e de reconhecer o inestimável valor da idéia calvinista do Reino de Deus para a solução dos problemas sociais.
A essência de minha religião continua sendo luterana. Ela abarca uma consciência de corrupção do existir, o repúdio de todo tipo de Utopia social (incluindo a metafísica do progressismo), o percatamiento da natureza irracional e demoníaca da existência, o reconhecimento do elemento místico na religião, e o rechaço do legalismo puritano na vida privada e corporal.
Também meu pensamento filosófico expressa esse conteúdo singular. Até agora, só Jacob Bohéme, porta-voz filosófico do misticismo alemão, tentou uma elaboração especificamente filosófica do luteranismo. Através dele o misticismo luterano influenciou Schelling e o idealismo alemão, e através de Schelling, por sua vez, os filósofos irracionalistas e vitalistas que emergiram nos séculos XIX e XX.
Na medida em que grande parte da ideologia anti-socialista se baseou sobre estes últimos, o luteranismo atuou indiretamente através da filosofia e também diretamente como forma de controle sobre o socialismo.
A visão marxista da situação humana (alienação)
Paul Tillich, Perspectivas da Teologia Protestante nos séculos XIX e XX, A visão marxista da situação humana (alienação), São Paulo, ASTE, 1999, p. 194.
A descrição de Marx da sociedade moderna é muito importante. Se nós, na qualidade de teólogos, falamos de pecado original, por exemplo, sem perceber os problemas da alienação na situação social, não poderemos nos dirigir ao povo em sua situação real no cotidiano.
Segundo Marx, a alienação significa a desumanização presente na situação social. Ao falar da humanidade no futuro, fala de verdadeiro humanismo. Aguarda uma situação em que o verdadeiro humanismo não seja fruição de apenas alguns privilegiados; nem é o humanismo a posse de certos bens culturais. Busca o restabelecimento da verdadeira humanidade, capaz de substituir a desumanização da sociedade alienada.
O principal nessa idéia de desumanização é que o homem se transformou num dente da engrenagem no processo de produção e do consumo. No processo da produção o trabalhador individual se transformou numa coisa, num instrumento, ou numa mercadoria comprada e vendida no mercado. O indivíduo tem que se vender para sobreviver.
Suas descrições supõem que o homem seja essencialmente pessoa e não objeto. O homem é fim e alvo supremo e não mero instrumento. Não é uma mercadoria, mas o telos interior de tudo que faz. É o significado e o alvo interior.
A descrição de Marx da desumanização ou da forma particular de alienação existente na sociedade capitalista contradiz completamente sua herança clássica humanista. Não podia haver reconciliação.
Na realidade social existe apenas desumanização e alienação. Vinha daí o poder para a mudança da situação. Quando Marx, em seu Manifesto Comunista, se referia à libertação das massas de suas cadeias, essas cadeias eram os poderes desumanizadores produzidos pelas condições de trabalho da sociedade capitalista. Conseqüentemente, perdia-se o caráter essencial do homem nesse tipo de sociedade. O homem deformava-se nos dois lados do conflito pelas condições da existência. Só voltaremos, a saber, o que o homem realmente é quando essas condições forem superadas.
A teologia cristã afirma que podemos saber o que é essencialmente o homem, porque o homem essencial já apareceu nas condições da existência no Cristo.
A alienação não se refere apenas às relações humanas, caracterizadas pela separação entre as classes, mas também à relação do homem coma natureza. Retira-se do homem o Eros. A natureza passa a ser apenas matéria de onde se fazem instrumentos, para a manufatura dos bens de consumo.
A natureza deixa de ser um sujeito com o qual nós, também sujeitos, podemos nos unir em termos de Eros, daquele amor que vê na natureza o poder interior do ser, o fundamento do ser criativamente ativo por meio da natureza. Na sociedade industrial transformamos a natureza na matéria de onde fazemos as coisas para comprar e vender.
Prof. Dr. Jorge Pinheiro
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terça-feira, dezembro 01, 2015

Top ten 2015 - Domingos Massa



  • Enfim chegou o momento de compartilhar minhas melhores leituras do ano que se encerra, e de demonstrar a devida gratidão às pessoas queridas que, de um modo ou de outro, me levaram a algumas delas. Preparar a lista abaixo não foi fácil, pois este foi um ano de muitas leituras boas. Ainda que lamentando a exclusão de alguns bons candidatos, estou satisfeito com o resultado final.

    Três breves avisos podem ser úteis. Primeiro: os livros estão listados abaixo na ordem em que os li. Segundo: não custa enfatizar que o fato de um livro ser um dos melhores do ano de modo algum me obriga a aprovar tudo o que ele diz ou transmite. E terceiro: amanhã minha querida esposa Norma publicará a lista dela, mas adianto com satisfação que, embora tenham sido elaboradas de modo independente, desta vez nossas listas tem três títulos em comum. Voltem ao blog amanhã para descobrir quais são.

  • 1. The man who was Thursday e Orthodoxy, de G. K. Chesterton
  • 2. O óbvio ululante, de Nelson Rodrigues
  • 3. O totem da paz e O fator Melquisedeque, de Don Richardson
  • 4. A condição humana, de Hannah Arendt
  • 5. A era de T. S. Eliot: a imaginação moral do século XX, de Russell Kirk;
  • 6. Aldous Huxley, Admirável mundo novo
  • 7. Cristo e cultura: uma releitura, de D. A. Carson
  • 8. The cry of the soul: how our emotions reveal our deepest questions about God, Dan B. Allender e Tremper Longman III
  • 9. Uma nova visão: o aconselhamento e a condição humana através das lentes da Escritura, David Powlison
  • 10. Meditatio, Osmar Ludovico
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quinta-feira, setembro 24, 2015

5 monografias sobre Bauman e a modernidade líquida

Publicado Originalmente no blog  Colunas Tortas 
A popularidade de Zygmunt Bauman parece estar em franca ascendência. Após sua aposentadoria, o autor começou a escrever freneticamente (mais até do que em seus anos de academia) e forneceu ao mundo uma leitura um pouco diferente da realidade social – o que aumentou a quantidade de trabalhos sobre Bauman e a modernidade líquidaem programas de pós-graduação pelo mundo.
O autor passou a analisar a pós-modernidade sob o prisma da liquidez, como uma época em que nada é feito para realmente durar – um ponto no espaço e no tempo em que a fixidez das relações é trocada pela descartabilidade da simples conexão, elaborando o conceito de modernidade líquida. Em Bauman, a modernidade líquida não é a mesma coisa que pós-modernidade, pois a modernidade ainda não teria acabado, ela teria apenas se transformado internamente para uma versão consumista, ultraindividualista e despolitizada.
Abaixo, listamos 5 teses, dissertações e monografias científicas que poderão ajudar a compreender a obra de Bauman e a modernidade líquida.
5 trabalhos acadêmicos sobre Bauman e a modernidade líquida
1 – Uma excursão pelo contemporâneo a partir do conceito de modernidade líquida de Zygmunt Bauman – Wuldson Marcelo Leite Souza
Uma excursão pelo contemporâneo a partir do conceito de modernidade líquida de Zygmunt Bauman
Uma excursão pelo contemporâneo a partir do conceito de modernidade líquida de Zygmunt Bauman
Nesta dissertação de mestrado, Wuldson Marcelo Leite Souza pretende analisar a contemporaneidade sob o prisma do conceito de modernidade líquida de Bauman. Seu trabalho é dividido entre uma análise do conceito de Bauman para modernidade líquida, uma análise sobre a globalização e suas consequências e termina por investigar a noção de fragilidade dos laços humanos.
“Para Bauman, a época atual é propícia para colocar a modernidade em avaliação. É um tempo de reflexão na qual a credibilidade e a validade das conquistas e falhas modernas podem ser debatidas, descartadas, revalidadas. Mas a era atual se mostra fluída, leve; há pouco espaço (ou mesmo intenção) para estabelecer rotinas; os poderes globais agem para desmantelar os laços efetivos/nacionais/sociais para proporcionar um aumento de fluxo de pessoas (porém nem todas têm passagem pelas fronteiras que separam a dura realidade do sonho de uma vida menos árdua) e capital em circulação”. 
Baixe aqui.
2 – A sociologia da modernidade líquida de Zygmunt Bauman: ciência pós-moderna e divulgação científica – Cleto Junior Pinto de Abreu
A sociologia da modernidade líquida de Zygmunt Bauman: ciência pós-moderna e divulgação científica
A sociologia da modernidade líquida de Zygmunt Bauman: ciência pós-moderna e divulgação científica
A sociologia de Bauman passa por uma análise que podemos chamar de “sociologia da ciência” nesta dissertação. Cleto de Abreu visualiza o trabalho do autor polonês como localizado em um momento histórico em que o senso comum e a ciência perdem suas diferenciações mais visíveis. Seus livros passaram a ser best-sellers, coisa inusitada para um sociólogo, e sua obra aqui é vista em relação ao campo da cultura de massa.
“Como resultado, a sociologia da modernidade líquida, a despeito de sua pretensão científica, aproximar-se-ia das práticas de vulgarização da ciência, fenômeno mais amplo e difuso nos diversos domínios disciplinares e que encontraria no esquema teórico de Bauman sua expressão no campo sociológico”.
Baixe aqui.
3 – Desreferencialização: educação e escola na modernidade líquida – Martin Kuhn
Desreferencialização: educação e escola na modernidade líquida
Desreferencialização: educação e escola na modernidade líquida
Martin Kuhn resolveu abordar em sua monografia as dificuldades da construção de uma identidade no ambiente escolar que a desreferencialização da vida na modernidade líquida proporciona. Diante deste panorama, se faz necessário pensar na educação e na construção da identidade dentro do contexto escolar que fuja das necessidades puramente de mercado.
“Pensar a educação escolar em tempos que a identidade é marcada pela transitoriedade, pela fluidez é, sem dúvida, o desafio. Se ao longo da modernidade se compreendida a identidade como pertença a uma comunidade, um indivíduo integrado, enraizado na cultura, e se a educação era entendia, como nos diz Bauman, um produto a ser apropriado e conservado, então os conteúdos, os conhecimentos, as regras, os valores, a disciplina, os comportamentos rígidos e tempos cronometrados eram a base da escola e, portanto, da formação de identidades. Portanto, isso diz de um projeto.
Diferentemente, a sociedade líquido-moderna caracteriza-se pela cultura do “desencaixe”, não há mais identidades fixas. A educação, nestes termos, se caracteriza substancialmente pela imprevisibilidade das transformações contemporâneas”.
Baixe aqui.
4 – Novas Formas de lidar com o Processo da Separação Conjugal na Modernidade Líquida – Cristiane Santos de Souza Nogueira
Novas Formas de lidar com o Processo da Separação Conjugal na Modernidade Líquida
Novas Formas de lidar com o Processo da Separação Conjugal na Modernidade Líquida
Por meio de entrevistas semidirigidas a jovens adultos separados, Cristiane Nogueira analisou a forma como os casais lidam com a separação tomando como base os estudos da contemporaneidade de Zygmunt Bauman e o conceito de modernidade líquida. A pesquisadora percebeu, em sua dissertação, que os processos de individualização se sobressaem em relação aos planos em conjuntos dos casais, gerando frustração na vida a dois – o trabalho também analisa todo o processo de separação, como a crise, a decisão, a iniciativa e a concretização da separação.
“Os relacionamentos contemporâneos só se mantêm enquanto proporcionam satisfação suficiente para ambos os cônjuges, e diante de uma crise conjugal, a solução mais rápida é a separação, no intuito de se ver livre do sofrimento”.
Baixe aqui.
5 – Lugares para amizade na sociedade contemporânea: caminhos educativos a partir da obra de Zygmunt Bauman – Rafael Bianchi Silva

Lugares para amizade na sociedade contemporânea: caminhos educativos a partir da obra de Zygmunt Bauman
Encontrar os lugares possíveis para o desenvolvimento da amizade é o objetivo de Rafael Silva, que, partindo da diferenciação entre “sociedade administrada”, ou seja, a modernidade sólida, movida pelo paradigma disciplinar, e a “sociedade líquido-moderna”, a dita “modernidade sem ilusões”, nossa sociedade líquida, em que o individualismo e o afastamento do espaço público se tornam regra juntamente com o imperativo do consumo.
“Observou-se que na obra de Bauman, as dificuldades de conviver com o outro se materializam no conceito de “estranho”, que por sua vez, marca o afastamento da Diferença. O diagnóstico realizado pelo autor também nos leva a um debate acerca das relações mediadas pela tecnologia e o desenvolvimento de comunidades virtuais que mostram e mantém a fragilidade vincular de nosso momento atual”. 
Baixe aqui.
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