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quinta-feira, junho 25, 2015



Publicado no Observador

As estratégias para alcançar bons resultados são muitas. E a tecnologia é cada vez mais importante. Segundo o El País: existem aplicações concebidas especialmente para os estudantes, que facilitam a aprendizagem. De lápis e papel na secretária ou de smartphone na mão, existem sete técnicas que podem dar uma grande ajuda durante a época de estudo.

Ganhar concentração
Mas a evolução das ferramentas tecnológicas tem tanto de benéfico na hora de estudar como de potencial de distração. As redes sociais, principalmente, tendem a roubar a atenção dos alunos e não os deixa desligarem-se da realidade virtual.
Como ignorar os celulares e computadores é impossível nos tempos que correm, porque esses dispositivos tornaram-se parte da lista de material necessário a qualquer estudante, o segredo está numa aplicação chamada Ommwriter: “É o teu escritório privado onde podes fechar a porta atrás de ti para te focares no teu estudo em paz”.
Quando ativada, esta aplicação bloqueia a recepção de notificações ao infiltrar-se na rede. Não deixa de receber mensagens, mas simplesmente não sabe quando alguém está a tentar contactar consigo através das redes sociais.

Organizar o estudo
A disciplina é fundamental para estudar de modo eficaz na fase de exames. Para tal existem várias aplicações que o podem ajudar: desde o típico Google Calendar até à mais modernista Homework App, todas elas têm por objetivo organizar as tarefas para esta época, para que haja tempo para estudar, mas também para fazer uma pausa e descansar.
Comece por marcar as datas dos exames e os dias em que não vai poder dedicar-se ao estudo. Depois descubra quais os assuntos que vão precisar de mais empenho e distribua-os ao longo do dia. A sensação de que a época de estudo está sob controle vai permitir aumentar a produtividade.

Esquemas individuais ou coletivos
Esquematizar a informação é essencial, porque obriga-nos a separar o realmente importante do que é dispensável. Uma das aplicações que pode ajudar nesse sentido é o Mindmeister: funciona num regime de colaboração online, onde todos os participantes conseguem obter uma síntese do assunto de modo mais eficaz.
Os mapas podem ser individuais ou criados através das entradas de diferentes pessoas em todo o mundo. A estratégia é simples: as pessoas aprendem melhor quando tentam explicar a matéria aos outros.

Desenhar infográficos
Os métodos utilizados para estudar dependem da disciplina e da matéria em questão. Mas os infográficos são especialmente eficazes em questões onde se devem relacionar dois ou mais tópicos, principalmente quando pretendemos aprofundar determinada questão.
Para esta técnica há muitas aplicações prontas para o ajudar. Uma delas chama-se Easel.Ly e oferece vários modelos de infográficos cativantes para um estudante: já coleciona 1 milhão de gráficos, criados por 800 mil utilizadores.

Entrar em fóruns online
Se para alguns estudantes o melhor é isolarem-se durante a época de estudo, outros preferem interagir com outros colegas. A vantagem dos fóruns como o Wikispaces  é que permite aos estudantes questionar os outros sobre a matéria. É algo muito aproveitado também pelos professores que pretendem orientar os alunos durante o período de estudo em que estão afastados das escolas.
Outra questão positiva nesta técnica: a motivação. “Ao aperceberem-se que alguém sabe mais sobre eles, tendem a dedicar mais tempo ao estudo em busca de uma maior compreensão sobre o assunto”, explica Ángel Sobrino, da Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade de Navarra.

Investigar para melhorar os apontamentos
Não se limite aos manuais escolares: procure novas informações por iniciativa própria. Os documentos que o Googledisponibiliza podem ser muito úteis nesse sentido: encontrar dados que complementem os que estão nos livros serve para cimentar a matéria e torná-la mais clara.

segunda-feira, junho 01, 2015

Você não precisa de um chamado missionário

O livro Você não precisa de um chamado missionário” é o primeiro livro de quatro livros da série  A Grande Comissão é maior do que você imagina a ser publicada pela BTBooks. É também o primeiro livro publicado por Yago Martins, professor e diretor da Academia de Formação em Missões Urbanasem Fortaleza, CE e co-apresentador do programa Dois Dedos de Teologia. Yago é um jovem apaixonado tanto pelas escrituras como pela Missio Dei e com esse livro nos brinda com uma importante contribuição para a reflexão evangelística da igreja brasileira.
Essa paixão bi-direcionada do Yago é visível e perceptível em toda a leitura do livro: Seu zelo pela verdade das escrituras o leva a pesquisar em diferentestipos de literatura e chega a usar gramáticas gregas para demonstrar a importância e a validade das afirmações que faz em seu livro. Mas sua paixão pela Grande Comissão fica evidente nos relatos missionárias igualmente apaixonadas pela missão de Deus. Essa combinação de zelo acadêmico com amor pela missão faz desse livro ímpar entre tantos livros sobre a evangelização.
Como primeiro livro da série, Yago analisa apenas a primeira parte dos versos que comumente chamamos de Grande Comissão: “E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto, Ide…” (Mat. 28.18-19a). Sua análise trata tanto do texto no seu ambiente original, como as possíveis questões levantadas pelo leitor durante o processo de clarificação do sentido do texto. Nessa resenha, vamos observar quatro características que fazem desse livro uma leitura obrigatória para todos os jovens que entendem que precisam se engajar na missão evangelística da igreja.
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Em primeiro lugar, Yago estabelece a Soberania de Cristo como ponto de partida para a ação missionária da igreja. Aliás, ele afirma que “a motivação primária e principal apresentada por Cristo para nos dar força (…) na obra missionária é Ele próprio e Sua soberania” (p.22). “A soberania que Jesus recebeu não é só o fundamento sobre o qual nossos pés estão firmado ao pregarmos o Evangelho, mas, mas é também o motivo pelo qual os homens devem honrar a Cristo” (p.54). Entretanto, Yago não faz da Soberania o único elemento da motivação cristã, pois acredita que “não há outro motivo que levara Paulo a se dedicar tanto à pregação do Evangelho e a amar tanto os perdidos, se não a glória de Deus” (p.60); Ou seja, “a nossa pregação é motivada pelo desejo de glorificar a Deus, através da conversão do seu povo. Qualquer outro motivo que assuma a preponderância em nossa tarefa, desvia o sentido da evangelização” (p.58). A isso, ele ainda adiciona: “baseados em quem Cristo é que nós teremos força duradoura para ir, e em mais nada. Motivados pelos atributos do nosso poderoso Rei que nosso exército caminhará para a batalha (…) Na Escritura, temos a revelação clara da pessoa de Jesus, temos o ensino daquilo que Deus intentou que fosse nossa força e razão para o evangelismo” (p.36). Em outras palavras, a Soberania de Cristo, Glória de Deus e o ensino das escrituras devem ser entendidas como fundamentos essenciais da ação missionária da igreja.
Com isso, Yago diverge (e corrige na minha opinião) da opinião popular de que as necessidades do campo e do homem sem Cristo servem como o motivo primário da ação missionária da igreja. Ainda que as questões sociais tenha o devido impacto na direção do ministério de muitos, não são essas questões que deveriam servir como motivo-base da ação missionária. Citando Timóteo Carriker, o autor afirma: “Enraizamos a razão da obra missionário não no ser humano, na sua carência de Deus, ou no seu amor para com aqueles que não tem Deus, mas a razão da obra missionária está firmemente enraizada na iniciativa e na misericórdia de Deus, isto é, na sua soberania” (p.61).
É válido notar que o autor não acredita apenas na soberania de Cristo como elemento primário da motivação cristã na tarefa evangelística, mas também defende que o cristão foi chamado para exercer a autoridade de Cristo na proclamação do evangelho (p.97). Para ele, “tudo o que fazemos com cristãos dever ter Cristo como fonte de autoridade. Ele é o Rei, o Salvador, o Filho de Deus, Aquele que sabe como agradar o Pai” (p.74). De acordo com o autor, “a Grande Comissão é uma afirmação da soberania mediatária de Cristo” (p.183). Nesse sentido, o autor sugere que a realização da Grande Comissão é parte do exercício da autoridade de Cristo no mundo opor meio de sua igreja, um conceito deveras esquecido na reflexão missionária dos nossos dias. Contudo, o autor vai ainda além ao afirmar que a autoridade de Cristo na Grande Comissão serve não apenas como motivo para a ação, mas também como a garantia final do sucesso missionário: “Todos aqueles que querem fazer missões têm uma santa confiaça naquele que salva o pecador. Deus salvará, sim, seus filhos. Estamos indo numa missão infalível. Motive-se” (p.104-5). “Nada é mais instigante para cristãos envolvidos com a pregação do evangelho do que saber que Cristo fará sua obra!” (p.106).
Em segundo lugar, Yago defende que uma boa teologia é a ferramenta fundamental para motivar o cristão a levar o evangelho. Ele acredita que teologia e missões precisam andar de mãos dadas sempre, e demonstra a importância de se conhecer as escrituras e do resultado prático dos seus ensinos na vida do cristão. De acordo com ele, “Nada pode acender fogo mais duradouro no coração do cristão do que a o Espírito Santo atuando através do conhecimento da Palavra” (p.44). O autor também recomenda que os cristãos “aprendam a meditar diariamente na mensagem do evangelho, pois ninguém se sentirá pessoalmente motivado a compartilhar aquilo que não compreende” (p.43).
Yago também apresenta importantes conceitos teológicos que fazem parte da reflexão missionária, como por exemplo os conceitos da glória ontológica e atributiva de Deus e defende que a Grande Comissão “é uma ordem para a glória atributiva tendo como motivo a glória ontológica de Cristo” (p.55). Ele também defende que o objetivo principal da pregação do evangelho “é a glória de Deus” (p.58), a centralidade de Cristo na mensagem do evangelho e afirma que nosso evangelismo “precisa ser cristocêntrico tanto na motivação quanto na mensagem pregada” (p.77-8). Com vasto apoio entre grandes teólogos reformados, o autor nos convida a valorizar a teologia do evangelho de acordo com as escrituras e nos apresenta exemplos inflamados da ação missionária na história da igreja.
Baseado em grande parte na teologia reformada, Yago também afirma que as doutrinas da graça motivam o cristão na prática evangelística: “É o próprio Senhor quem abre os corações dos infiéis para que atentem às palavras de salvação (At 16:14).” Sobre isso também afirma que “a Grande Comissão seria impossível sem a presença de Cristo, pois a tarefa é fazer discípulos, mas somente Ele pode mudar o coração humano.” (p.103). Tal percepção teológica tira do leitor o peso da responsabilidade de converter as pessoas, e se ocupar primariamente na tarefa de anunciar a Cristo. Falando sobre Paulo, o autor afirma que “o apóstolo era motivado a pregar por saber da existência dos eleitos” (p.104), e isso é, certamente, um grande incentivo teológico: “Se dependesse do nosso poder, força, ou capacidade, nenhum pecador seria salvo. Mas (exultem!) não depende do nosso poder, nem da nossa força, nem da nossa capacidade. Tudo, sim, tudo depende unicamente de Deus falando através da Escritura! Ele é o grande agente da obra missionária, não nós” (p.111). O autor também relembra que a ação missionária da igreja, apesar de motivada na autoridade de Cristo, é finalmente baseada no coração de Deus. Citando John Stott, ele afirma que “a missão surge do coração do próprio Deus e é transmitida de seu coração para o nosso. A missão é o alcance global de um povo global que pertence ao Deus global”,e depois completa “Deus não é só o dono da Missão; é também seu autor” (p.109); “O entendimento de que a obra de missões será concluída e que Deus está efetivamente levando sua palavra para as nações nos dá uma força sem igual para irmos por todo mundo, propagando o evangelho” (p.111).
Em terceiro lugar, Yago traz o texto original à reflexão missionária da igreja. Apesar de considerar que seu conhecimento no idioma é “parco e extremamente limitado” (p.190), ele aponta para o uso de  preposições no texto e as implicações práticas que pequenos detalhes podem sugerir (p.22). Ele não evita, como fazem alguns comentaristas, comentar a voz passiva do verbo dar no verso 17 (“me foi dada”) e a define como um passivo divino, denotando que a autoridade de Cristo é em última análise dependente da autoridade divina (p.71-2). Mas, a mais importante contribuição de Yago nesse ponto é acorreção de uma má compreensão frequente relacionada a Grande Comissão: O ide significa ide mesmo – é uma ordem! Alguns pastores desavisados, como uma análise sumamente superficial do texto, acreditam que o particípio πορευθέντες usado no início do v.19 deveria ser entendido como um particípio modal e traduzido como: “Indo, façam discípulos.” Felizmente, o autor demonstra a invalidade desse argumento por demonstrar que a construção grega usada aqui é um particípio circunstancial antecedente, e funciona como “uma ordem dependente da ordem principal, que precisa ser obedecida como uma circunstância necessária para se obedecer aquilo que se deseja” (p.191). Yago demonstra a validade dessa construção grega em textos indisputáveis (cf.Mat.19:13; 18; 28:7; Lc.5:14) e acertadamente conclui: “só podemos concordar que neste texto Cristo não só nos ordena fazer discípulos e pregar o evangelho, mas também nos comissiona a ir como um meio para que essa missão seja concretizada” (p.192).
Por fim, Yago convida o leitor a participar na missão evangelística da igreja de forma corajosa e habitual: “Queremos segurança e garantias. Esperamos que Ele nos revele apoteoticamente que é o Seu plano para nossa existência. A verdade é que Ele espera que nos arrisquemos mais, pulando de corpo inteiro no fogo das possibilidade a fim de proclamar o Nome d’Ele por entre as nações” (p.173). De acordo com o autor, “Ser missional significa basicamente viver de modo que usemos todas as oportunidade que existem para cumprirmos nossa missão de propagar a salvação que há em Jesus” (p.208). De modo irônico, o autor nos estimula a pensar seriamente no nosso engajamento missionário: “o único lugar fora do céu onde você pode estar perfeitamente a salvo de todos os perigos missionários é o inferno” (p.178).
De acordo com Yago, o genuíno amor a Cristo e a verdadeira submissão a sua autoridade são suficientes para fazer de um cristão um missionário: “Se você conhece realmente o Deus que serve, você não cumprirá verdadeiramente o papel missionário: mostrar Deus para os que estão longe de Cristo” (p.47). É por isso que você não precisa de um chamado missionário, tudo o que você precisa é ser um cristão genuíno: “Se você é um cristão, você será testemunha de Cristo” (p.108). “Ame a glória de Cristo, e a glória de Cristo vai mover você ” (p.114). Afinal, “todo cristão é um missionário ou é um impostor” (p.142). E no que se refere a esse conceito, Yago não apenas apresenta o conceito, mas também demonstra que o mesmo faz parte de sua vida: “Confesso que participo de obras missionárias urbanas e já preguei o evangelho em alguns lugares do país, mas eu nunca senti um chamado para isto. Eu simplesmente fui. Entendi que pregar é uma ordem à qual eu precisava obedecer” (p.167).
Esse livro é uma excelente introdução a Grande Comissão e cumpre o papel que lhe foi proposto: Ele informa, motiva e inflama o jovem leitor a se engajar na ação missionária da igreja. Como o primeiro livro de uma série, também nos deixa curioso com o que mais precisamos sobre a nossa missão que ainda não foi apresentado até aqui. O fim abrupto do livro deixa um gostinho de quero mais e leva o leitor a esperar ansiosamente pelo próximo volume da série.
Depois de ter lido esse livro, digo que vale a pena lê-lo atentamente. Certamente o leitor será motivado a fazer da evangelização um estilo de vida, assim como o autor dessa resenha sentiu-se ao termina-lo. De leitura simples e encorajadora, esse livro tem condições de mudar sua vida. Vale a pena lê-lo!
Publicado Originalmente no Blog Teologando

sexta-feira, maio 29, 2015

Mudanças de Paradgimas na Teologia da Missão

BOSCH, David J. Missão transformadora. Mudanças de paradigma na teologia da missão. Tradução de Geraldo Korndörfer e Luís Marcos Sander. São Leopoldo/RS: Editora Sinodal, 2002. 690 p.
Autor
David J. Bosch, membro da Igreja Reformada Holandês, fez sua primeira experiência missionária na região do Transkei (1957-1971) na África do Sul. Depois, foi professor de missiologia na Universidade de Pretória por 24 anos. Duas vezes decano da Faculdade de Teologia (1974-77; 1981-87) e Secretário da Sociedade Sul-africana de missiologia desde sua instituição em 1968, foi também diretor e inspirador da importante revista Missionalia desde sua fundação em 1973. A sua produção teológica e literária, A Spirituality of the Road (1979), Witness to the World (1980), The Lord´s Prayer: Paradigm of a Christian Lifestyle (1985), The vulnerability of Mission (1991), mais uns sessenta artigos e palestras dadas no mundo inteiro, indica o seu trajeto que culminará com a publicação da obra mais prestigiosa. O seu compromisso com a situação da África do Sul nos anos 80, levou-o a recusar a oferta de assumir a cátedra de missiologia num dos mais prestigiosos seminários dos Estados Unidos. Morreu tragicamente no dia 5 de abril de 1992 num acidente de carro.
No debate missiológico contemporâneo, algumas obras destacam-se por seu valor documentativo e criativo. Uma delas é sem dúvida “Missão transformadora. Mudança de paradigmas na teologia da missão”, do autor sul-africano David Jacobus Bosch. O título original da obra, Transforming Mission, é de propósito ambíguo: pode significar a missão que se transforma, como também a missão que transforma. Nessa ambigüidade encontramos o status quaestionis da obra. A missão cristã está passando por uma crise profunda que diz respeito ao seu fundamento, às suas motivações, à sua finalidade e à sua natureza. Torna-se necessário, então, examinar as vicissitudes das missões e da idéia missionária durante os 20 séculos da história cristã para poder reconstruir algo de relevante para a atualidade e para o futuro. Com efeito, precisamos de uma nova visão de missão.
Na primeira parte, então, o autor começa sua indagação a partir dos fundamentos bíblicos: o que é missão para a Bíblia. Uma reflexão introdutória sobre o Novo Testamento como documento missionário, evidencia de maneira exaustiva que a Palavra de Deus é toda ela intrinsecamente missionária, do início até o fim, e não somente num grupo de textos. A partir desse dado, Bosch se concentra em analisar meticulosamente três modelos fundamentais de missão do Novo Testamento: a missão como fazer discípulos (Mateus); a missão como prática de perdão e solidariedade com o pobre (Lucas); a missão como convite a unir-se à comunidade escatológica (Paulo).
Em seguida, na segunda parte, o autor passa a mergulhar na analise de quatro grandes paradigmas históricos da missão: o paradigma missionário da Igreja Oriental, o da Igreja Católica da Idade Média, o da Reforma Protestante e o do movimento missionário dos séculos XIX e XX influenciado pelo Iluminismo. Este último modelo, filho do Iluminismo e reação ao mesmo, representa uma mudança radical que marca ainda hoje a atuação missionária das igrejas. Para Bosch, a identificação do movimento missionário moderno com a cultura ocidental de cunho iluminista, determinou sem dúvida a) sua cegueira frente os elementos pagãos existentes na cultura ocidental, e b) sua ignorância frente as tradições religiosas e culturais dos povos que procurava evangelizar. A prática missionária da igreja primitiva e dos monges da Idade Média foi muito diferente. Além disso, é difícil ignorar o fato do movimento missionário moderno ser impregnado de uma forte e prejudicial dose de pelagianismo e ativismo.
Na terceira parte, Bosch trata finalmente de um novo modelo de missão que está emergindo neste começo de século XXI, como crítica ao paradigma anterior. O que autor apresenta é um destilado das maiores reflexões sobre a missão a partir do Vaticano II em diante, de todos os Congressos e Assembléias protestantes e das contribuições dos principais missiólogos de todos continentes. As várias igrejas cristãs e as várias missiologias estão devidamente representadas nessa obra, o que revela uma sensibilidade ecumênica excepcional, sobretudo no conhecimento do mundo católico. Contudo, mais que uma originalidade de pensamento, Bosch sintetiza com muita competência uma enormidade de informações. Os elementos analisados e apresentados são os seguintes: Missão como Igreja-Com-os-Outros; Missão como Missio Dei; Missão como Serviço de Salvação; Missão como Busca da Justiça; Missão como Evangelização; Missão como Contextualização; Missão como Libertação; Missão como Inculturação; Missão como Testemunho Comum; Missão como Ministério do Povo de Deus; Missão como Testemunho entre os Crentes de outras religiões; Missão como Teologia; Missão como Ação na Esperança.
Na conclusão de sua obra, o autor se pergunta: afinal, para onde vai a missão? A missão é algo maior de seus projetos históricos. Ela precisa ser novamente compreendida a partir do princípio da “missão de Deus”: “não é a Igreja que ‘empreende’ a missão; é a missio Dei que constitui a Igreja” (p. 618).
Partes principais da obra
Introdução: Missão, a crise contemporânea
Parte 1: MODELOS NEOTESTAMENTÁRIOS DE MISSÃO
1. Reflexões sobre o NT como documento missionário
2. Mateus: missão como fazer discípulos
3. Lucas-Atos: a prática de perdão e solidariedade com os pobres
4. Missão em Paulo: convite para aderir à comunidade escatológica
Parte 2: PARADIGMAS HISTÓRICOS DA MISSÃO
5. Mudanças de paradigma na missiologia
6. O paradigma missionário da igreja oriental
7. O paradigma missionário católico romano medieval
8. O paradigma missionário da Reforma protestante
9. A missão na esteira do iluminismo
Parte 3: RUMO A UMA MISSIOLOGIA RELEVANTE
10. A emergência de um paradigma pós-moderno
11. A missão em um período de prova
12. Elementos de um paradigma missionário ecumênico emergente
13. Missão de muitas maneiras
Por que essa obra é referencial
Este livro foi reconhecido como uma obra monumental, magistral e uma excelente ferramenta de ensino. Tornou-se uma referência-padrão no estudo da missão, sendo talvez o livro-texto mais usado em aulas e cursos de missiologia. Para Bruno Chenu este texto é “ponto de referência para toda a reflexão histórica e atual da missão”. Para Hans Küng “a primeira a implementar a teoria dos paradigmas para entender a missão”. Para Lesslie Newbigin é considerada “um marco miliário, uma Summa Missiologica”. No âmbito de uma reflexão teológica a partir da América Latina, o estudo de “Missão transformadora” é de grande importância por dois motivos:
  1. em primeiro lugar, porque a tese principal da obra diz respeito a toda a problemática da colonização da cultura ocidental conduzida também através da evangelização: uma reflexão sobre a descolonização da missão surge das ruínas e das derrotas de uma missão de cunho iluminista;
  2. em segundo lugar, porque na construção de um novo e ecumênico paradigma da missão, Bosch coloca bastante ênfase sobre o valor de uma “teologia do contexto” e oferece uma síntese, junto a uma crítica, das principais tendências de pensamento sobre a inculturação e sobre as perspectivas missionárias emergentes.

quinta-feira, abril 23, 2015

A corrosão do caráter de Richard Sennett

A partir de entrevistas com executivos demitidos da IBM em Nova York, funcionários de uma padaria ultramoderna em Boston e muitos outros, Sennett estuda os efeitos desorientadores do novo capitalismo. Ele revela o intenso contraste entre dois mundos de trabalho – aquele da rigidez das organizações hierárquicas no qual o que importava era um senso de caráter pessoal, e que está desaparecendo, e o admirável mundo novo da reengenharia das corporações, com risco, flexibilidade, trabalho em rede e equipes que trabalham juntas durante um curto espaço de tempo, no qual o que importa é cada um ser capaz de se reinventar a toda hora.
Sennett desafia o leitor a decidir se a flexibilização do capitalismo moderno oferece um ambiente melhor para o crescimento pessoal ou se é apenas uma nova forma de opressão (Descrição da Livraria Saraiva).
Veja aqui o livro completo no Scribd.
PDF completo no 4Shared.
Resenha no Caderno CRH da Universidade Federal da Bahia.
Resenha na Revista Contemporânea.
Resumo do livro no NetSaber.
Referência: SENNETT, Richard. A corrosão do caráter. Tradução Marcos Santarrita. Rio de Janeiro: São Paulo: Record, 2005. 204p. (cap. 01 e 02)

domingo, novembro 09, 2014

Mentoria Espiritual – O desafio de transformar indivíduos em pessoas

Título: Mentoria Espiritual – O desafio de transformar indivíduos em pessoas
Autor: James Houston
Editora: Editora Textus e Editora Sepal/ Editora Palavra
Onde comprar? MW Distribuidora – Livraria Ágape – Erdos
Quando li: abril/2012 – maio/2012
Meu Comentário: James Houston fundador e professor do renomado Regente College (sonho), tem lecionado a cadeira de Teologia Espiritual, sendo substituído por Eugene Peterson, é um homem sabedor de diversas áreas do conhecimento humano, amigo de C.S.Lewis, alguém que merece ser ouvido. Nesta obra, a qual foi relançada pela Editora Palavra com um novo título “O Discípulo”, o doutor Houston apresenta três tipos de homens frutos da cultura de suas épocas, os quais influenciaram o modo de ser e viver de muitos: o homem heroico (estético), o homem estoico (moral) e o homem psicológico.
Após esta apresentação, nos brinda com a pena de Kierkegaard, filosofo cristão existencialista, o qual fala sobre o papel da Palavra de Deus na nossa formação espiritual e então argumenta sobre o papel das Escrituras no nosso discipulado.
Nesta obra encontraremos diversas citações de mentores, que fizeram uso do texto sagrado para orientar seus mentoreados, como Fenelon, Kierkegaard, Edwards, Clairvaux, Balthasar, Calvino, Lewis e etc.
Sinopse:
Muito mais do que um manual sobre como fazer para encontrar alguém experimentado, com quem possamos conversar e de quem possamos aprender.
Este livro nos ajuda a recuperar a centralidade da fé em Cristo na formação da pessoa. Através de uma análise séria sobre as limitações da psicologia moderna e da moral cristã ocidental, James Houston nos desafia a caminhar em direção a uma maturidade em Cristo, rompendo com o individualismo contemporâneo e redescobrindo no discipulado cristão o significado da pessoa.
Ricardo Barbosa
Mentoria exige sensibilidade para que o mover de Deus, reverência para com aqueles que nos cercam e capacidade de aprender com as situações mais comuns da vida. Em cada página deste livro você encontrará sinais claros de alguém que conhece intimamente esta arte.
Ricardo Agreste
James Houston é um intelectual em todas as dimensões que este conceito contempla; é um sãbio com toda a profundidade que este termo encerra; é um homem de Deus, com toda a intensidade que esse epíteto sugere. Tê-lo ouvido, todas as vezes que veio a São Paulo, mudou a minha vida. Vi Deus como nunca O havia contemplado, percebi Seu amor e a Sua como jamais notara antes. Tenho uma eterna dívida de gratidão para com o Dr. Houston. Poucas vezes vi Deus falar tanto e tão profundamente, por meio de um ser humano, como o faz com ele.
Ariovaldo Ramos
Este livro fala da reconstrução de uma casa após uma enchente ou um terremoto devastador. Mas esta casa não é simplesmente um telhado sobre as nossas cabeças: eça está dentro de nós. É a minha essência e a sua também. Diz a respeito à nossa identidade individual.
Desde a década de 60 temos passado por enormes transformações culturais que, como enchentes ou terremotos, destruíram os nossos valores tradicionais e também a nossa auto-compreensão. Então, examinamos os destroços, identificamos como e quando essa casa foi construída, como as fundações eram precárias e entendemos que precisamos reconstruí-la…
É disso que trata a mentoria. Especialmente da percepção de que não estamos sós, de que há umoutro com o qual preciso me relacionar e de que preciso me reconstruir como pessoa em Cristo, sob a orientação de um velho e bom construtor (mentor).
Do alto de sua erudição e prática de mais de 50 anos como mentor espiritual, o Dr. Houston, nos conduz a um mergulho investigativo pela História, Filosofia e Psicanálise, revelando-nos onde estão as pedras preciosas que muito ajudarão (na condição de mentores, mentoreados, ou simplesmente como cristão) a nos reconstruirmos não mais sobre a areia, mas, sobre a rocha, como Jesus ensinou…
Dr. James M. Houston vem atuando como mentor há mais de cinqüenta anos. Formado pelas Universidades de Edimburgo e de Oxford por vinte e cinco anos. Foi reitor-Fundador do Regent College em Vancouver, Canadá, onde acumula as funções de diretor e de professor de Teologia Espiritual.
O Dr. Houston é autor de muitas obras, dentre as quais destacamos: A Fome da Alma e Orar com Deus, editados no Brasil pela Abba Press. O Dr Houston atualmente vive com sua esposa Rita em Vancouver. Ele têm quatro filhos e nove netos.

sexta-feira, outubro 17, 2014

A corrosão do caráter de Richard Sennett

Dica de Leitura
Recomendo a todos a leitura deste livro! Abaixo compartilho um breve resumo do mesmo. 

Domingos Massa
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A partir de entrevistas com executivos demitidos da IBM em Nova York, funcionários de uma padaria ultramoderna em Boston e muitos outros, Sennett estuda os efeitos desorientadores do novo capitalismo. Ele revela o intenso contraste entre dois mundos de trabalho – aquele da rigidez das organizações hierárquicas no qual o que importava era um senso de caráter pessoal, e que está desaparecendo, e o admirável mundo novo da reengenharia das corporações, com risco, flexibilidade, trabalho em rede e equipes que trabalham juntas durante um curto espaço de tempo, no qual o que importa é cada um ser capaz de se reinventar a toda hora.
Sennett desafia o leitor a decidir se a flexibilização do capitalismo moderno oferece um ambiente melhor para o crescimento pessoal ou se é apenas uma nova forma de opressão (Descrição da Livraria Saraiva).
Veja aqui o livro completo no Scribd.
PDF completo no 4Shared.
Resenha no Caderno CRH da Universidade Federal da Bahia.
Resenha na Revista Contemporânea.
Resumo do livro no NetSaber.
Referência: SENNETT, Richard. A corrosão do caráter. Tradução Marcos Santarrita. Rio de Janeiro: São Paulo: Record, 2005. 204p. (cap. 01 e 02)

quinta-feira, maio 01, 2014

25 livros que todo cristão deveria ler antes de morrer!

25 livros que todo cristão deveria ler
Sobre a Encarnação, Santo Atanásio;
Confissões, Santo Agostinho;
Ditos dos Pais do Deserto, Vários;
A Regra de São Benedito, São Benedito;
A Divina Comédia, Dante Alighieri;
A Nuvem do Não-Saber, Anônimo;
Revelações do Amor Divino (Exibições), Juliana de Norwich;
Imitação de Cristo, Thomas de Kempis;
Filocalia, Vários;
As Institutas, João Calvino;
Castelo Interior ou Moradas, Santa Teresa de Ávila;
A Noite Escura da Alma, São João da Cruz;
Pensamentos, Blaise Pascal;
O Peregrino, John Bunyan;
A Prática da Presença de Deus, Irmão Lourenço;
Um Sério Chamado a uma Vida Devota e Santa, William Law;
O Caminho de um Peregrino, Autor desconhecido;
Os Irmãos Karamázov, Fiódor Dostoiévski;
Ortodoxia, G. K. Chesterton;
A Poesia de Gerard Manley Hopkins;
Discipulado, Dietrich Bonhoeffer;
Testamento sobre Devoção, Thomas R. Kelly;
A Montanha dos Sete Patamares, Thomas Merton;
Cristianismo Puro e Simples, C. S. Lewis;
A Volta do Filho Pródigo, Henri J. M. Nouwen.

segunda-feira, julho 29, 2013

Com vergonha do Evangelho: Quando a Igreja se torna com o mundo

Estou lendo “Com Vergonha do Evangelho: quando a igreja se torna como o mundo”, de John MacArthur. É um livro altamente recomendável, do qual ouso replicar um trecho, a seguir:

A igreja contemporânea está passando por uma revolução sem precedentes, desde a Reforma Protestante, em seus estilos de adoração. O ministério das igrejas casou-se com a filosofia de marketing, e o “filhote monstruoso” dessa união é um diligente esforço para mudar a maneira como o mundo enxerga a igreja. O ministério da igreja está sendo completamente renovado, na tentativa de torná-lo mais atraente aos incrédulos.

Os especialistas nos dizem que pastores e líderes de igrejas que desejam ser mais bem-sucedidos precisam concentrar suas energias nesta nova direção Forneça aos não-cristãos um ambiente inofensivo e agradável. Conceda-lhes liberdade, tolerância e anonimato. Seja sempre positivo e benevolente. Se for necessário pregar um sermão, torne-o breve e recreativo. Não pregue longa e enfaticamente. E, acima de tudo, que todos sejam entretidos. As igrejas que seguirem estas regras experimentarão crescimento numérico, eles nos afirmam; e as que as ignorarem estão fadadas à estagnação. [...]

A questão é que se pretende tornar a igreja “user-friendly”, ou seja, “amigável”. Esse termo vem da indústria informática e foi primeiramente aplicado para descrever um software ou um hardware que é de fácil operação para o iniciante em computação. Aplicado à igreja, costuma descrever um tipo de ministério que é benigno e extremamente não-desafiador. Na prática, torna-se uma desculpa para se importar os entretenimentos mundanos para dentro da igreja, na tentativa de atrair os não-frequentadores de igreja que estão “à procura de algo”, através de um apelo aos interesses carnais. O resultado óbvio dessa preocupação com os que não são da igreja é uma correspondente falta de cuidado para com aqueles que são a verdadeira igreja. As necessidades espirituais dos crentes geralmente são negligenciadas, e isso prejudica a igreja.

(…) Apresento a seguir algumas citações daqueles recortes, que descrevem a pregação em uma “igreja amigável”:

“Aqui não há fogo nem enxofre. Nada de pressionar as pessoas com a Bíblia. Apenas mensagens práticas e divertidas.”

“Os cultos em nossa igreja trazem consigo um ar de informalidade. Você não verá os ouvintes sendo ameaçados com o inferno ou sendo considerados como pecadores. O objetivo é fazer com que se sintam bem-vindos, não de afastá-los.”

“Como acontece com todos os pastores, a resposta é Deus – mas ele O menciona apenas no final e o faz sem muita seriedade. Nada de discursos; nada de altos brados. Nem fogo, nem enxofre. Ele nem usa a palavra que começa com a letra ‘i’. Nós chamamos isso de evangelho light. É a mesma salvação oferecida pela velha e boa religião, antiga mas com um terço a menos de culpa.”

“Aqui os sermãos são relevantes, otimistas e, o melhor de tudo, curtos. Você não ouvirá muita pregação a respeito do pecado, da condenação e do fogo do inferno. A pregação aqui nem se parece com pregação. É uma conversação sofisticada, polida e amigável. Quebra todos os padrões estereotipados.”

“O pastor está pregando mensagens bastante atuais… mensagens de salvação, mas a idéia não é tanto de salvação do fogo do inferno. Pelo contrário, é salvação da falta de significado e de propósito nesta vida. É uma mensagem mais soft, de mais fácil aceitação.” [...]

Portanto, as novas regras são: seja esperto, informal, positivo, sucinto e amigável. [...] E jamais, jamais, use a palavra “inferno”.

[...] Mas, de fato, a verdade das Escrituras está sendo omprometida, ao ser descentralizada e quando, para forjar uma amizade com o mundo, verdades duras são evitadas, diversões insípidas tomam o lugar da sã doutrina e uma verdadeira ginástica semântica é utilizada a fim de evitar a menção das verdades severas das Escrituras Sagradas. Se o objetivo é fazer sentir-se bem aquele que está à procura de algo, porventura isso não é incompatível com o ensinamento bíblico acerca do pecado, do juízo, do inferno e de vários outros assuntos importantes? Assim, por intermédio dessa filosofia a mensagem bíblica é irremediavelmente distorcida. E o que dizer sobre o crente que precisa ser alimentado?

[...] No âmago da filosofia da “igreja amigável”, movida a marketing, está o objetivo de oferecer às pessoas o que elas desejam. Os que advogam essa postura são bastante honestos quanto a isso. [...]

Avaliar com exatidão as necessidades das pessoas é, portanto, considerada uma das chaves para o crescimento no movimento moderno de crescimento de igrejas. Ensina-se aos líderes da igreja a pesquisarem os “consumidores” em potencial, para se descobrir o que estes procuram em uma igreja – e então oferecem exatamente isso. [...]

Pastores não são mais instruídos a declarar às pessoas o que Deus requer delas. Em lugar disso, são aconselhados a descobrir quais são as exigências das pessoas e fazer o que for necessário para satisfazer essas necessidades. O público é reputado como soberano, e um pregador sábio “haverá de moldar sua comunicação de acordo com as necessidades do povo, de forma a obter a resposta desejada”. [...] Isso significa que a estratégia humana, e não a Palavra de Deus, torna-se a fonte de toda a atividade eclesiástica e o padrão pelo qual o ministério é avaliado.

[...] As Escrituras dizem que os primeiros cristãos viraram o mundo de cabeça para baixo (At 17.6). Em nossa geração, o mundo está virando a igreja de cabeça para baixo. Biblicamente falando, Deus é soberano, não o incrédulo que não frequenta a igreja. A Bíblia, e não o plano de marketing, deve ser o único guia e a autoridade final para todo o ministério eclesiástico. Em vez de acalentar o egoísmo das pessoas, o ministério da igreja deveria atender às verdadeiras necessidades delas. O Senhor da igreja é Cristo e não um “Zé da poltrona” com um controle remoto nas mãos.

Não consigo ouvir a expressão “igreja amigável” sem que isso me traga à mente a passagem de Atos 5 e a história de Ananias e Safira. O que se passou naquela ocasião desafia abertamente quase toda a teoria contemporânea de crescimento da igreja.

A igreja de Jerusalém não era nem um pouco “amigável”. Aliás, era exatamente o oposto. Lucas nos informa que esse episódio inspirou “grande temor a toda a igreja e a todos os que ouviram a notícia destes acontecimentos” (At 5.11).

O culto daquele dia foi tão perturbador, que nenhum dos que não frequentavam a igreja ousou juntar-se a eles.

O só pensar em frequentar aquela igreja aterrorizava o coração daquelas pessoas, apesar de os terem em alto conceito (At 5.13).

A igreja, sem dúvida alguma, não era um lugar para os pecadores sentirem-se à vontade, era um lugar que causava medo!

MacARTHUR, John. Com vergonha do evangelho: quando a igreja se torna como o mundo. São José dos Campos, SP: Ed. Fiel, 2009, p. 43-53.
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